Esse outro eu

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espelho

Neste dia, você levantou cedo e fez tudo o que sempre faz
Se preparou e saiu para viver a rotina
Como todo santo dia
Como todo dia santo
Como todo dia

E voltou para casa
Comeu alguma coisa
Fez o que tinha de ser feito

E foi tomar um banho
Quando se olhou no espelho
Ficou alguns instantes contemplando aquela imagem
Mas algo estava fora do lugar

O estranhamento
O toque no rosto e o movimento de um lado para o outro
Tentando reconhecer alguma parte
Algo que pudesse lhe colocar diante do conhecido

Mas não, aquele rosto não lhe era familiar
Aquelas marcas e rugas, não lhe eram peculiares
E a tontura, uma amnésia temporária
Rápida o suficiente para lhe fazer sentar e pensar

Que você havia se perdido
Perdido de você e da vida
Sido engolida pelos dias e por amanhã será diferente
E você acreditou que seria

Mas nunca fez nada para mudar o ritmo
Sair desta engrenagem que te engoliu
Te devorou viva e você deixou

E voltando ao espelho
Não se reconhece
E não se encontra
E se dá conta que a vida é toda um estranhamento

Um encaixe e vai e vem de coisas
Que não fazem sentido algum
Que não te levam para qualquer lugar que você um dia desejou estar

E agora você tinha uma vida vazia, dentro de um corpo que não lhe pertencia.
E agora? O que você fará com tudo isso?

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