Carta ao Passado – II

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saudade

São Paulo, 23 de Abril de 2012.

Te liguei na quinta feira passada…

Por que simplesmente achei ter te visto, e milhares de pensamentos cruzaram minha cabeça… pensamentos bons e ruins…. De tristeza e alegria… na duvida… fiquei enlouquecida com a dúvida… com o medo… com a possibilidade de…

E ai eu liguei… e escondi na minha mais maliciosa crueldade, todas as intenções e meus desejos…. Fingi ser forte, fingi estar bem… fingi… como sempre fingi…

E me dei conta que por você e para você, a personagem é, a mocinha da história que sempre está vivendo um conto de fadas…. sempre está com seu melhor vestido, fazendo seu melhor passeio… e como de supetão é surpreendida por sua pessoa.

Você por aqui?

Nossa… já faz quanto tempo?

Eu estou ótima, melhor do que nunca….

E depois a mascara cai, cai com a água que lava o meu corpo durante o banho… cai no momento em que fecho a porta da minha casa e as luzes da sala refletem minha imagem no espelho… espelho este que é capaz de ver através de meus olhos, ver minha alma em seu mais profundo e secretos caminhos…

Recentemente ouvi a frase: “A mocinha tem um coração de gelo…”

Congelei…

Retruquei… gelo derrete…

Gelo realmente derrete…

E ele fez a geleira começar a derreter e me fez pensar que eu deixei de amar. Não me lembro quando foi esse dia, mas eu deixei de amar.

E em seu discurso, desejo de constituir família e ter filhos… me dei conta que me distanciei de mim de uma maneira que ninguém nunca havia se distanciado.

Me peguei pensando que a vida passa… o tempo passa… olhar para trás…

Tudo se constrói, tudo vai para frente, tudo cresce, tudo se desenvolve…

Eu parei no tempo…

Congelei…

E hoje meu coração doeu de um jeito que há muito tempo ele não doía… doeu de verdade e não de amor ou de tristeza, mas simplesmente doeu por si só….

Por alguns instantes acreditei que hoje seria o fim de sua historia… Achei que hoje ele faria sua ultima entrada graciosa no universo de ilusões e desilusões em meu teatro interior….

Por um momento acreditei que hoje o fim se faria presente… acalmaria este coração que há tanto tempo não sabe o que é sentir calor… não sabe o que é bater por um momento de afeição… Por uma possibilidade de ser abraçado, envolvido e querido.

Este coração que foi obrigado a fechar-se… a contrariar-se… a fazer-se temeroso e teimoso….

Cruelmente articulado de maneira a não demonstrar ou transparecer um pinguinho sequer de interesse, de dúvida ou de inconsequência…

Treinado para ser uma máquina, que apenas bate… bombeando sangue para todo o organismo, cumprindo sua função mecânica e descumprindo sua conotação adjunta de querer bem, de sentir bem, de fazer o bem….

Congelei.

Serão os reflexos do degelo????

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