Carta ao Passado – III

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saudade

São Paulo, 27 de Maio de 2012.

Olá,

Depois de um telefonema e um convite para um café, nos encontramos esta semana.

Por alguns instantes tentei dissimular desinteresse, mas a curiosidade era maior do que a minha tentativa de não ser…

E te vi…

E não enxerguei o que eu tanto amava…

Quando te abracei me deparei com aquela menina e aquele menino de 17 e 19 anos de idade… Voltei no tempo e quase que por um instante me deixei levar pela dança, pela ternura… pela possibilidade de…

E logo me sentei a sua frente e começamos o teatro de máscaras, como nos tornamos bons nisso, não é mesmo?

Eu estou ótima…

Eu nunca estive tão bem…

E tentei a todo custo tentar reconhecer uma palavra, um interesse, uma virgula que me remetesse ao significado ou ao inicio de um amor que há muito tempo ficou para trás e eu me peguei tentando resgatar os últimos suspiros de alguma coisa que não tenho certeza se algum dia existiu.

Ele estava diferente, mais maduro…

Eu também…

Os olhos continuam os mesmos olhos lindos de sempre… mas o seu interior, ele se amargurou de uma maneira que eu nunca havia conseguido enxergar com tanta clareza.

Um homem amargo, um homem que precisa de coisas e tem necessidades que em muito não lhe suprem… O melhor carro, a melhor televisão, mais, mais, mais… as namoradas mais lindas e desejáveis e a frase que fica: “Você perdeu muito em não querer ficar comigo, por que eu sei que sou um grande partido”… Sim….

Você realmente se tornou um grande homem partido…

Metade de alguma coisa que talvez você não consiga preencher nesta vida, metade de alguns desejos que precisam ser satisfeitos para que você não tenha que entrar em contato com o vazio que há tanto tempo lhe acompanha nesta jornada.

E pensar que por um instante quase choramos ao lembrar de nosso primeiro beijo… sim, ele realmente foi muito especial. Muito especial mesmo.

Mas também quando perguntou o que eu esperava ou queria com você e eu respondi que nada e que estava feliz pela simples possibilidade de podermos nos encontrar novamente, sem mágoas, sem brigas, sem nada… e você não acreditou…

E no fim… quando lhe disse que estava apaixonada por outra pessoa e você me disse aquelas palavras tão amargas..

Eu simplesmente fui sincera…

“Me salva”

“Como assim, o que foi? – O que foi, fala…”

“Problemas”

“Quais… Posso te ajudar?”

“Passado…”

“Ex?”

“Sim…”

“Seu coração ficou molinho por ele?”

“Não, não queria ver ele… Queria ver você… Só pensava nisso”

E como eu havia lhe dito, agradeço por um dia termos cruzado nossos caminhos nesta vida, pois aprendi a beijar, abraçar e tudo mais com você. Um professor mais do que especial!

Mas também sinto muito por não ter sido a namorada que você sempre sonhou… mas fazer o que? – Pelo visto não tenho certeza que ela realmente exista, pois pelo que me parece você ainda mantém uma e continua procurando a batida perfeita…

Espero que possa encontrar e que seu coração possa voltar a bater tranquilamente, e que você possa conquistar tudo o que mais sonhou nesta vida, pois você pode… só precisa acreditar verdadeiramente nisso.

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