Ainda sangra

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noiva-cadaver

Oi saudade
Fazia tempo que você não vinha

E hoje me tomou de supetão
Chegou sem avisar
E nem deixar indícios de suas intenções
De fazer meu dia
Na verdade de estar no meu dia

E agora
Me faz pensar em tudo o que foi
O que houve, é ou haverá
Mas o haverá da minha imaginação

De um dia o que fomos
E o que fizemos juntos
Das caminhadas
Das risadas
Dos passeios de mãos dadas

Quando você me deu aquele anel
Que em suas palavras e intenções
Representou o melhor de tudo
E haveria de ser a certeza
De tudo o que construiríamos lado a lado
Nessa vida
Para sempre

E como um piscar de olhos
Tudo virou pó

Da dor de saber o que todos sabiam
De ver o que eu não queria nunca ter visto
De descobrir o que já era fato
Óbvio demais até para piadas prontas

E eu em tornei incapaz de seguir adiante
De manter o semblante
Segurar a máscara
Manter o sorriso amarelo no rosto
E fingir dignidade

Tudo se partiu
No piscar dos olhos
Com a queda do cristal
Que se quebrou em milhares de pedaços

E eu tentei
Por um instante
Consertar os cacos
Do que havia sido

E me cortei
Profundamente
Me cortei

E até hoje
Essas feridas sangram
No escurecer da noite
Na solidão do meu quarto
No desabafo com meu travesseiro
E eu choro em silêncio

A partida
Os cacos
E todo o teatro

Que no final das contas
Eu fiz questão de viver
E reverenciar, honrar e chamar de meu

E o parabéns é meu
Só meu
Pelo conjunto da obra

E agora
Eu sangro em silêncio
Como a perfeita metáfora
Do que era a realidade de minha existência.

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