Amor – II

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oiamor

Você nunca soube
E nunca vai saber

Mas eu um dia pensei que talvez
Das mensagens que você mandava
De “bom dia”

Quando você aparecia do nada
E os olhares se cruzavam
Eu me sentia uma adolescente

E nunca consegui entender
Como é que isso chegou a acontecer

Mas quem disse que precisa ter sentido?

Com o tempo
Acabei me afastando
Reticente
Não sou dessas
Respeito o que há de ser respeitado

Deixei o tempo passar

Mas de alguma maneira
Mesmo que pouco
Considerei alguma possibilidade

E inventei mil desculpas
Para nunca dar certo

Com o passar do tempo
A razão voltou a imperar
E tomar conta do que nunca houve de ser

Com o passar do tempo
Você volta a me procurar

Me pergunto do que se trata tudo isso

Pergunto a Freud, Lacan e seus amigos
Pergunto a minha fé
Me perco nas interpretações

Me contento com a resposta
E já sei que nesta vida
Só haverá de existir
Desejo e ilusão
Tudo no mesmo lugar

Respiro fundo
E me deixo contentar
Para que o coração não morra
Do que nunca poderá ser.

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