Esgotaram-se

Padrão

Walk_Away_by_Gilraen_Taralom

As palavras
Silenciaram

O coração
Parou de bater

Anestesiada
Da vida
Que nunca houve

Como se estivesse
Esperando
O prenúncio
Do que era sabido
Óbvio
Mas nunca dito

Daquelas coisas
Que todos caminham
Mas que não querem chegar

Das vezes que procurei só
E me salvaram
Da queda

Agora
Não posso salvar
Nem diminuir a dor

Não tenho coragem
Não posso falar

Muito menos
Dizer
Que sei….

Agora a verdade
Do segredo
Que é
Me engole

Agora
O vazio
É nosso

O medo
Nos faz companhia
Na calada da noite

O tempo
Agora
Ele está no comando
E nos dirá
Até quando…

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Me preparei a vida toda

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fimOuço todos os dias
O que vai nos corações
Dos segredos
Dos devaneios
Dos desabafos
Das resoluções
E decisões…

De repente
Me pego
Diante
Do meu maior algoz

O tempo
Me pregou uma peça

Não tem graça

Me anestesie
A vida toda
Para isso

Como se fosse óbvio
Como se fosse cortar
Como se fosse matar

E mata…

De repente

Me vejo
Limitada
No sentir
No escutar
No oferecer
No acolher

De mim mesma
No que é hipótese
Mas não costuma errar

Do que é silêncio em um
Transborda no outro
O que cala
Mas fere na profundidade
Exata do que é

Agora
O tempo será o mensageiro
Do que é
Do que há
Do que está reservado
Deste o dia
Que foi plantado

Daqueles finais
Que não queremos

Mas…
Nem tudo pode ser
Resinificado, não é mesmo?

Ausente, mas aqui

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limiteFiquei tanto tempo sem escrever
Que até estava estranhada
Como seria possível
Silenciar o que há no coração?

E me dei conta
Que as drogas não estavam mais presentes
Que eu não estava mais me dando conta
Que eu já estava ignorando
De maneiras diferentes
A própria existência

Fisgada pela dor
E amada infinitamente
Pela ausência
Do que não pode ser
Do que não se tem

Vivi
Todo esse tempo
Correndo atrás
Do que eu já tinha
Mas nunca havia me dado conta
Que era meu

Então
Por hora eu volto
Para falar que enlouqueci
E me curei…
Que morri
E voltei…
Que a vida me deu nova chance
Nova morada
Novo sentido

E me preparo
Para o que há de vir

Não sei o que será
Mas sei que já é dado
Como fato consumado

Aqui jaz
Minha vida
Que eu matei
Para chegar ao limite…

Você nem sabe

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acabouEscolhi te ignorar
Definitivamente
Te excluir da vida
Ou do que era
Ou do que houve

De ficar te esperando
De fingir que não entendi
De achar que era certo

Cansei
Da minha esperteza
Em fingir
Que acreditava
Que você se importava

De repente
Falar com você
Cansou

De repente
Falar com você
Dá preguiça

Te ouvir
E fingir que me importo

Você já percebeu
Que é o fim
Mas que fim?
Do que nunca foi

Cansei de suas palavras
Da sua inteligência
Da sua importância
Do que você supostamente
Achava que me dava

Agora
Eu só tenho tempo
Para o que importa

E esse tempo
Não é mais seu…

Presa no pesadelo

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pesadelo1
Hoje eu sonhei
Como se estivesse presa
Fugindo no tempo
Escapando de algo
Me mudando de vez
Deixando as coisas para trás…

De repente
Peguei coisas
Joguei outras fora…

Lembrei
De ter mexido no armário
E encontrando coisas
Não sabia de quem…

E tudo ficou misturado
Com a revelação do dia
Da notícia
Que veio para devastar
E quebrar mais uma vez
Meu coração…

E a música tocava
No sonho
Como se fosse verdade
A realidade do dia
Se misturava com a saudade
De rasgava
No sonho…

Acordei
Da noite que não dormi

Agora
Fico aqui
Na dúvida
Se choro
Se rezo
Se durmo
Ou
Se desisto de novo
Mais uma vez
De tudo….

Prenda a respiração e pule

Padrão

fim
Hoje eu cogitei
Como há muito
Não pensava

Em desistir

Cansei de procurar
Cansei de fazer
Cansei de querer
Cansei de tentar
Cansei de sonhar
Cansei de amar
Cansei de entender

Cansei tanto
Que desistir era o mais belo refúgio

Quando nada mais faz sentido
Quando nada mais tem o porque
Da vida que se faz vazia
Das bebidas que não entorpecem mais
Do cigarro que deixou de fazer companhia

Daqueles dias
Que levantar da cama
É a tortura maior

Ir para a vida
O sacrifício inescapável

Colocar o sorriso
A melhor roupa e ir
Rezando para o dia acabar
Para voltar para casa
E fechar a porta

Ficar no escuro
Ficar no silêncio
Ficar na cama

Ficar em paz

A eternidade chega quando?

Por essa ninguém esperava

Padrão

porta

Cheguei em casa
Depois de mais um dia
Um longo dia
Um belo dia
Um cheio dia…

Mas cheio de tudo o que eu escolhi
De cada sementinha que eu busquei
Para plantar no meu jardim…

Mas o que ninguém sabe

Hoje…

Eu
Arrumei um tempinho para mim

E falei…

Falei coisas que
Nem eu mesma sabia
Que ainda estavam lá…

Coisas que eu achei
Que estavam no lixo

Mas a pessoa era boa
E me pegou no pulo
Me pegou na ausência
Fez a pergunta certa
Desmontou meu castelo
De ilusões
Que eu mesma construí
Para me esconder e cuidar

Eu tinha me esquecido
E me dei conta
Que esquecer
Se tornou hábito
Para camuflar
O que não pode ser visto

Mas a inteligência
É tão grande…
Que agora
Esquecer é o convite
Para ir lá
E definitivamente
Arrumar a bagunça toda
Que eu mesma fiz
Um dia…