Vazio nós

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vazionos
Prometi
Acreditei
Diz que sim
Comecei
Fui um pouco
Foi ao meio
Mas deixei

Deixei sempre
Essa sempre foi
A verdade
O lugar
A certeza…

Deixei
De mim
O que era seu
O que eu acreditei
Que deveria
Poderia
Haveria

Parti
Em mim
De mim
O que eu não sei
Para onde não foi

Sempre
Esperando
O lugar
O olhar
A aprovação
A palavra

Descobri
Que promessas repetidas
Não mudam direções
Não mudam vidas
Não são nada
Apenas
São vazias

Dessa vida
Que agora é essa
Deste lugar
Vazio…

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Aqui jaz…

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DEZ

Em dezembro eu fiz uma visita usual, mensal, como sempre a minha querida e amada dentista.

E ela me deu uma das noticias mais incríveis da minha vida.

Eu sei que pode parecer uma das coisas mais idiotas que você já leu por aqui, mas para mim não…

Um dos dias mais esperados de todos os tempos.

Ela me disse e eu comecei a chorar.

Ela ficou me olhando com uma cara, achando que eu estava de brincadeira, mas não era não.

O nosso casamento acaba, os nossos votos acabam, as nossas promessas acabam, nossos encontros periódicos acabam…

Foi bom, muito bom enquanto durou.

Mesmo sabendo que todo mês, eu ia sentir dor, você ia me apertar, ia me fazer sofrer…

Dizia para eu fazer tudo direitinho, seguir os orientações, usar os elástiquinhos…

Digo que ele atrapalhou em algumas coisas, principalmente durante os finais de semana, mas agora…

Agora eu estou livre!

Livre!

Depois de dez anos!

Eu sei, não posso ser leviana e deixar tudo para trás…

O que tivemos foi bom, eu sei.

Agradeço absurdamente tudo o que tivemos juntos!

Mas agora… agora é tempo de conhecer novas possibilidades, seguir novos caminhos…

Agora, estou pronta para o próximo nível: Que venha o aparelho móvel!

 

 

 

 

 

Presente vazio

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amargo
Você me deu
O que falou que daria

Você veio
E fez o que era

Achei
Que seria diferente

Mas não tem diferente
Do que sempre é igual
Do que sempre foi
Do que você é

Nunca haverá de ser
Você diferente
Do que eu queria
Do que eu esperava
Do que eu achava

O lugar é meu
De achar
Esperar
Querer

Você tem
O que quer de mim
Nunca quis mais
Nunca quis menos
Sempre quis
O que é

E eu
Mudo as vírgulas
Os pontos
As exclamações

Fazendo o sentido
Do que eu quero que tenha
Do que eu quero que seja
Do que não
Não é nunca

Agora
Fico sem ar
Quando ele me falta
Sei que é

Na verdade
As palavras
Ausentes
Preenchem o pulmão
De vazio

Essa é a lógica…
Sempre foi, não é mesmo?

Fugir de você… fugir de mim…

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fugir
Não
É isso mesmo
Deste lugar
Do silêncio
Do dia que veio aqui
E foi embora
Do mesmo jeito
Que chegou

Já sabe
Teve que fugir
Porque eu não mais
Posso te oferecer
O que você disse oferecer

O que você fingia
E eu acreditava

Do que eu fingia
E você acreditava

Da última vez
Só faltou deixar
O dinheiro no criado
E bater a porta
Ao sair

Mas não deixou nada
Levou tudo

Não deixou nada
Não levou tudo

Levou o que?
Se nunca teve nada…

E agora

Das palavras
Que respingam
Dos sentidos
Que nunca fizeram

Eu acreditei
Fingi que ia bem
Que estava tudo bem

Você foi
Partido
Partiu

Sangrou

E hoje entendi
Que não era de mim

Pressentindo
O fim…

Você foi
Não olhou para trás

Mas pensando bem
Eu também
Não olharia…

Como foi mesmo?

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respirar
De repente
Pensar se tornou
Algo tão
Difícil
Acessível
Complexo
Incompleto….

Nunca pensei
Que um dia seria eu

Agora
Sujeita
Entorpecida
Viciada
Presa

As drogas
Que agora
Fazem parte do meu dia
Da minha vida

Para respirar
Para pensar
Para organizar
E fazer sentido

Tudo bem
Enquanto houver
Vontade e necessidade

Eu terei vocês
Minhas mais novas preciosidades

Mini fábricas
De sentidos
De ar

E de fazer o coração saltitar…

Você se basta, né?

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house

Juro que tentei
Acreditei
Mas
Como você consegue?

Foi você
Mas eu esperava
Outro

Então
O lugar está certo
Mas minha cabeça
Outros

Você pensa
Que pensa
Que sabe
O que diz

Mas saiu
As palavras
Rasgaram
Quebraram
Arrancaram tudo

Você me pergunta
O que foi
O que é
O que eu tenho

Digo a primeira palavra
E você termina a frase
Com suas palavras

Então
Termino
Onde recomeçamos

Você não sabe
Mas nem precisa

Você se basta
Não é mesmo?