Aquele segredo

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atras da porta

Você me tocou?
Lembro
Que um dia
Atrás de uma porta

Eu não consigo me lembrar
Mas eu sei que alguma coisa
Que mudou tudo
Da infância
Da inocência
Da doçura

Alguma coisa aconteceu
Atrás daquela porta

Foi alguma coisa grave
Que outras pessoas fizeram silenciar
Confundiram as percepções
Disseram que não era nada demais

Era sim
Porque até hoje
Essa coisa toda está no meu corpo
Preenche minha mente
E me paralisa

Me faz chorar dia sim
Dia não
Me faz não fazer
Me faz não ter coragem
E me escondo

Nas roupas
Nas palavras
Na comida
Na vida

Ela foi amarga desde o começo

Como alguém tem coragem?

E desde então a vida acabou.

Tempestade de mim

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tempestade

Da encruzilhada
Sentei
Parei com todo o meu cansaço
Toda a minha tristeza
Com todas as minhas malas
Sentei

E a chuva era forte
O vento maltratava
Deixei a chuva lavar
O vento levar
Mas não era isso
Não se tratava de nada disso

Eu não conseguia decidir
Qual direção seguir
Qual lugar ocupar
Eu não conseguia mais ver sentido em nada

Quando te disse que as palavras perderam a cor
A comida perdeu o gosto
Levantar da cama era penoso

Eu queria dizer isso
Do lugar que nunca houve de haver
Da verdade que nunca apareceu
Das mentiras que eu carrego na mala
Dos desejos que eu não sei mais de quem são

Eu esqueci que gosto tem
Que cor tem
Que concordâncias ou sons
Do que se trata a vida

De fingir estar bem todo o tempo
De sorrir para cada pessoa na rua
De olhar para baixo
Procurar uma direção
De querer um sentido

Lembrei
Estou parada na encruzilhada
Se alguns moram por aqui
Serão eles a me mostrar a direção?
Serão eles o que me ajudarão?

Será que sou digna dessa ajuda?

Bagunça de pensamentos

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pensamentos1

Verdade
Eu tinha colocado a culpa nele
Achei que era o remédio
Que deixava minha cabeça
Meus pensamentos
Minha boca
Meu sono

Aérea
Lenta
Seca
Absurdo

Mas na verdade
Ele só maquiava
O que eu esqueci
De pensar

E deixei de lado
Como se fosse uma sacola velha
Cheia de coisas para jogar fora

Mas não
Ela se abriu de novo
E remexida
Me mostrou

Que eu não tenho como esquecer
Que não tem como escapar
Não tem o que fazer

De adiar
Eu me perdi

De fugir
Eu esqueci

E agora
Olho ao redor
E não consigo
Pensar

Porque a dose
A dose do remédio
Só me faz embargar
Desencaixar e amortecer

Tudo
Que na realidade
Eu quis esquecer.

Passa longe que tu fez merda

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cala a boca

Primeiro você mandou uma mensagem querendo uma opinião
Respirei fundo…
Contei até sei lá que número
Pensei que tenho que ser uma boa pessoa
Porque assim dizem os preceitos religiosos

Fiz a louca e respondi direitinho
Fui tão simpática que até me admirei
Quase me dei uma estrelinha de parabéns

Depois de alguns dias você manda outra mensagem
Em dia e horário inapropriados
Eu respondi
Mas o dia, o horário
E eu estávamos no lugar errado

Perguntei o que era
E você não hesitou
Disse que não estava bem…
Quer dizer, não sabia se não estava bem…
Disse que estava tudo bem…
Mas que antes que ficasse mal
Não sabia o que fazer…

Consultar os oráculos?
Os deuses astronautas?
Pedir ajuda para algum deus
Usar sua droga predileta

E acabei descendo a ladeira da fineza
Que esse dia eu não “tava boa”

E perguntei se neste mundo de fast
O que você queria era que eu lhe oferecesse
Fast Ajuda nesse mundo superficial em que você vive
Nessa merda de lugar que você ocupa

E para fechar você me diz que ia procurar alguém
Com mais qualificação

Rí alto
E lembrei que era você sendo você
E qeu não me cabe submissão
Ou “retrucação”
De um lugar que você só enxerga o seu umbigo
O mundinho cretino que você criou
Para a vida fazer sentido

Não costumo ter dó das pessoas
Mas este dia
Esse dia eu senti dó

Por que falou mal de mim para a pessoa errada
Inventou história de mim para a pessoa errada
E não imaginava…
Que isso chegaria aos meus ouvidos

Não tem problema
Você sabe que eu sei
E daqui para frente
Você não vai mais saber de nada…

Você escolheu
E eu sei cobrar

E sim…

Sei ser má…

O dia que respirar não foi uma escolha

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morte2

Cai na piscina
Em um mergulho
Na verdade
Em um tombo
Afundei…

Quando me dei conta
Já estava lá no fundo
Sem fôlego
Sem forças
Sem saber como escapar

Dos segundo que se faziam eternos
E eu comecei a ouvir as batidas
Aceleradas do meu coração
Senti o frio na espinha

Como se fosse possível
Senti o calafrio da morte
E ela chegou bem perto
Me olhou de frente
No fundo dos meus olhos

Sorriu e me ofereceu
Ajuda
Disse que tinha vindo me buscar

Me esperava há tempos
Mas há muito que não nos encaramos

A última vez foi quando?
Sete anos…
Algumas profecias acontecem nesse tempo

Fechei os olhos e perdi os sentidos
Mas de repente
A luz azul tomou conta de tudo
E mesmo com os olhos fechados eu pude ver

Pude respirar fundo
E voltar…

De longe ela continuava me olhando
Não se deixando intimidar pela luz azul…

Ela me disse: Não tenho pressa
Eu continuo te esperando
E desse vez eu vim para cumprir a promessa
Mesmo que para isso eu tenha que esperar
Eu sempre te esperarei…

Patuá

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patua

Estava pensando em inveja
Quando as pessoas falam essa palavra
E eu fico tentando entender
O que isso quer dizer?

Outra palavra que eu não entendo
É dó….
Não sei o que significa ter dó…

E fico imaginando o que isso quer dizer
Onde tudo isso se encaixa
Do que se trata tudo isso

Dos lugares
Que as pessoas acham que os outros
Desejam ocupar
Ou ter
Ou pertencer
Ou ser
Ou não ser
E não pertencer
Ou ter
Ou ocupar…

Ou sei lá o que

Porque se todo mundo tem uma vida
Então todo mundo pode tudo
De ser ao não ser
Do ter ao não ter
Do querer ao não querer
Do vencer ao não…

Do sim e do não.

Todo mundo tem essa medida
Então inveja e dó
Não tenham inveja
Não tenham dó

Só tenham amor
E muito querer bem
Porque é isso que move o mundo
Isso que move a vida
e isso que faz a vida valer…

Amor que transborda
E preenche…
O resto…
O resto sobra e fim.