Prenda a respiração e pule

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fim
Hoje eu cogitei
Como há muito
Não pensava

Em desistir

Cansei de procurar
Cansei de fazer
Cansei de querer
Cansei de tentar
Cansei de sonhar
Cansei de amar
Cansei de entender

Cansei tanto
Que desistir era o mais belo refúgio

Quando nada mais faz sentido
Quando nada mais tem o porque
Da vida que se faz vazia
Das bebidas que não entorpecem mais
Do cigarro que deixou de fazer companhia

Daqueles dias
Que levantar da cama
É a tortura maior

Ir para a vida
O sacrifício inescapável

Colocar o sorriso
A melhor roupa e ir
Rezando para o dia acabar
Para voltar para casa
E fechar a porta

Ficar no escuro
Ficar no silêncio
Ficar na cama

Ficar em paz

A eternidade chega quando?

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Por essa ninguém esperava

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porta

Cheguei em casa
Depois de mais um dia
Um longo dia
Um belo dia
Um cheio dia…

Mas cheio de tudo o que eu escolhi
De cada sementinha que eu busquei
Para plantar no meu jardim…

Mas o que ninguém sabe

Hoje…

Eu
Arrumei um tempinho para mim

E falei…

Falei coisas que
Nem eu mesma sabia
Que ainda estavam lá…

Coisas que eu achei
Que estavam no lixo

Mas a pessoa era boa
E me pegou no pulo
Me pegou na ausência
Fez a pergunta certa
Desmontou meu castelo
De ilusões
Que eu mesma construí
Para me esconder e cuidar

Eu tinha me esquecido
E me dei conta
Que esquecer
Se tornou hábito
Para camuflar
O que não pode ser visto

Mas a inteligência
É tão grande…
Que agora
Esquecer é o convite
Para ir lá
E definitivamente
Arrumar a bagunça toda
Que eu mesma fiz
Um dia…

Chegou nossa hora

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amorlove

Me lembro de você
Na música que eu ouvi hoje
Que eu ouvi lá atrás

No carro
Que era outro carro
Mas te dei carona

Da casa
Que era outra casa
Mas tinha você

Dos móveis
Escolhidos no improviso
Meu melhor, por sinal

E agora
É
Um a um
O que há
E é

Você lá
Agora
É você
Aqui

Eu já sei
Te sinto
Pressinto

Já tenho
Data
Hora
E lugar

Sei
Te espero

Sei que agora é

Sem dúvidas
Eu sei

Venha na hora
Que sabemos

Não se preocupe
A porta
Está só encostada…

Descanse

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amoraceito

Cheguei em casa

Você já estava lá

Dormia
Fiquei um tempo

Quieta

Sem acender a luz

Ou fazer barulho
Fiquei te admirando

Pensando

“Que homem forte que me contempla”
Daquelas histórias

Que vamos em filmes

Sonhamos acordadas

Do Príncipe

O meu encantado
É a minha vida
E faz finalmente valer a pena
Valeu cada tropeço

Cada descuido

Cada coração partido
Hoje eu entendi

Só hoje eu posso

Oferecer e receber

O que é esse amor
E esse amor

É seu

Só seu

E de mais ninguém
Você me deu

Eu reconheci

Eu aceitei
E agora

Eu vivo

Vidinha minha

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chave casa

Avisei que ia lá rapidinho

Me dei um tapa na testa

Briguei comigo

Que burra…
Pedindo para entrar
No que é meu

Ai lembrei
Que essa é vida

E está em transição

Para entrar e começar
No lugar que tem de ser

Fui lá
Peguei a chave reserva

E escolhi
A partir de hoje
Ir a hora que eu quiser

Trocar o miolo

E daqui pra frente

Só entra quem eu autorizar
No lar
Na vida
No pensamento
No amor…

Quem se importa?

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cemitério

Me desejaram um bom dia
Uma pessoa que eu nem sei quem é

Mas ela me desejou
Um bom dia

Ela nem sabe
Que eu não sei o que é esse dia
Do que se trata comemorar alguma coisa

Porque quando eu chego em casa
Tudo o que eu faço lá fora
Fica lá fora

Como uma máscara que eu uso
Diariamente
Com sorrisos e palavras
Delicadezas e sentimentalidades
Verdades e seguranças

Eu sou realmente a prova de tudo isso mesmo

No final das contas
Um dia ouvi que o escritor não representa a sua obra
No meu caso isso serve

Não represento nada
Represento a farsa
Do fracasso dos aspectos
Que subjugam a abstraem

Mas eu não posso falar isso em voz alta
Isso não pode ser colocado em lugar algum
Isso não importa a ninguém

Nem a pessoa da porta ao lado
Nem a pessoa que mora do outro lado do mundo

Mas no final das contas
Ninguém se importa mesmo

Se eu não estiver mais aqui amanhã
No final das contas
Ninguém simplesmente
Se importará…

Ninguém se importa.