Trânsito divã

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klein

Hoje
Eu acabei tão tarde
Na volta
Trânsito

Chuva
Frio
A luz ficou diferente
Refletiu no vidro

Lembrei de você
O rádio ajudou
Tocou a sua música

Senti saudades
Saudades do que foi
Saudades do seu rosto
Saudades do que era

Me dei conta
Que senti saudades
Do que nunca tivemos

Saudades do que eu queria

Lembrei da sua última mensagem

Me deu uma tristeza

Minha saudades
É só uma imaginação
Uma lembrança
Uma grande mentira

Porque o homem que você se tornou
Nem de longe cabe
Na minha lembrança
Do homem que você foi

Esse foi o golpe

O semáforo ficou verde
A música acabou
O carro atrás buzinou
Voltei para mim

Onde está você
Homem dos meus sonhos?

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Tempestade de mim

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tempestade

Da encruzilhada
Sentei
Parei com todo o meu cansaço
Toda a minha tristeza
Com todas as minhas malas
Sentei

E a chuva era forte
O vento maltratava
Deixei a chuva lavar
O vento levar
Mas não era isso
Não se tratava de nada disso

Eu não conseguia decidir
Qual direção seguir
Qual lugar ocupar
Eu não conseguia mais ver sentido em nada

Quando te disse que as palavras perderam a cor
A comida perdeu o gosto
Levantar da cama era penoso

Eu queria dizer isso
Do lugar que nunca houve de haver
Da verdade que nunca apareceu
Das mentiras que eu carrego na mala
Dos desejos que eu não sei mais de quem são

Eu esqueci que gosto tem
Que cor tem
Que concordâncias ou sons
Do que se trata a vida

De fingir estar bem todo o tempo
De sorrir para cada pessoa na rua
De olhar para baixo
Procurar uma direção
De querer um sentido

Lembrei
Estou parada na encruzilhada
Se alguns moram por aqui
Serão eles a me mostrar a direção?
Serão eles o que me ajudarão?

Será que sou digna dessa ajuda?

Tanto faz

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chuva

Silêncio

O dia em que a vida decidiu que era tempo de mandar por aqui

E tudo que havia sido planejado não aconteceu
Não aconteceu simplesmente porque nada se encaixou
Na rotina ou no que havia de acontecer

E a temperatura que era agradável
E o tic tac do relógio que corria naturalmente
Com o sopro do vento virou

E a chuva se fez presente
A temperatura despencou

E acompanhei tudo isso junto a multidão que aguardava seu ônibus no ponto de parada

De tão perdida que estava
Deixei o ônibus passar com o pretexto de que iria para outro destino
Aquela altura da vida
Tanto fazia o lugar para onde eu iria

E subi em qualquer um
Só para não sentir mais o frio
E o incomodo das gotas da chuva em meu corpo

E segui meu destino
Como se tivesse de saber para onde eu queria ir
Ou deveria ir
Ou algo assim

E depois de pouco tempo
Desci
E segui o meu caminho
Que há muito tempo atrás eu reclamaria de ter de andar
Por ser distante de casa

E me vi
Com meu guarda chuvas
Andando por ai
A caminho de casa

Como se nesse caminho
Eu pudesse ter o conforto
As respostas
O carinho
E tudo o que eu não tenho mais

De tentar encontrar direções
Certezas e respostas

De não me incomodar mais com o frio ou a chuva
Porque não faria sentido reclamar de nada
Porque tudo isso já estava sendo
E a intrusa era eu

Por não saber o lugar que tenho de ocupar
Em meu destino
Em meus pensamentos
E em minha vida.