Pode entrar

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podeentrar

Te esperei
Fingi que não
Que era normal
Um dia qualquer

Você disfarçou
Também era igual

Não acreditava
Na sorte grande
Daquelas que nunca batem
Na nossa porta

Achou que era um engano
Uma maldade
Um desencaixe

Mas depois
Se deu conta
Que era verdade

Te esperei
Não uma vida
Mas algumas decepções
Me fizeram desacreditar
Nem mais ousar
Desejar
O que há para a vida
Lá fora

Mas você aceitou
Anotou telefone
Confirmou endereço
Aceitou o convite

Pode subir
Seja bem vindo
Eu vejo você

Você me vê
Você me ouve
Você entende
Você  respeita
Você  aceita

Eu te aceito também.

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Nossa café de hoje

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cafe-coracao
Lembra que eu te falei
Da moça que pegou em minhas mãos
E me levou
Para aquele lugar
Que eu conheço
Mas havia me esquecido?

Eu esqueci de te dizer
Que há muito tempo atrás
Você também foi uma dessas

Daquelas
Que nos dá a mão
Nos dá a direção
Lapida o que há em nós
Mas que esquecemos de olhar

E hoje
Você me ofertou
Seu tempo
Sua risada
Suas intimidades
Suas “maravilhosidades”

E quando me diz suas palavras
Das melhores
E das piores
(Que eu me esquivei para ouvir)

Você me dava você
Me dava a sua melhor parte
Do que sempre você me deu

E novamente
Gratidão

Porque do meu desencaixe
Do nosso desencaixe
Se faz
A nossa amizade

Da purpurina
Que é só nossa
E que brilha do nosso jeito

Mas de tudo
No final das contas

Do café
Da risada
Do que é

Minha honra
Ter um pouquinho do seu tempo
Um pouquinho de sua sabedoria
Da sua risada engraçada…

E ainda não desisti

Você aceita
O meu coração?

Sério

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eclipse

Hoje o dia não amanheceu
O sol não veio dizer bom dia

A vida esqueceu de vir

Ontem ficou preso
Está aqui para sempre
Entre nós

O dia de hoje não chegou

Esqueceu de vir
Esqueceu que tinha que vir

Talvez tenha ficado por lá
Sabendo que hoje não faria sentido
Hoje não teria lugar
Não teria por quê…

Talvez tenha percebido
Que há tempos não é
Então um dia a mas ou um dia a menos
Tanto faz

A vida não é vivida mais mesmo
Então
Um dia a mais ou um dia a menos

Que diferença faz?

Dobrando a dose

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drogas1

Esses dias todos
Eu fiquei assim
Desligada
Alheia
Desencaixada

Achei que estava tudo bem
Que as coisas iam melhorar
Mas agora eu só quero saber
De ficar dormindo

Da minha cama
Do meu travesseiro
Dos lugares que eu posso visitar
Enquanto fecho os olhos

E mergulho
Vou profundamente
E viajo
Me perco
Não tenho hora para voltar
E nem hora para chegar


Naquele lugar
A vida ainda tem algo a oferecer
E mostrar que tem um sentido

Mas mesmo assim
Neste entorpecimento
Não era para estar assim

Então
Semana que vem
Eu volto
E ajustamos a dose

Tudo bem…
Mais um pouco
Para que a vida possa voltar a ser
O que nunca poderá ser mesmo.

Das palavras e escolhas

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chave

Eu só precisava saber o que dizer
Ou saber exatamente
Apenas exatamente
O que fazer

Daqueles dias que contamos
Regressivamente
Ansiosamente
No calendário

E chegou
Agora eu fico olhando para as paredes
Sentindo o coração bater forte

Mas nada
Nenhum movimento
Nenhuma palavra
Nenhuma intenção

Apenas fico olhando
Parada o dia que chegou de presente
E não tenho a menor idéia do que fazer
Com ele e com a minha vida nele

E o dia lá fora está tão lindo
Daqueles muito mais bonitos que os sonhados
Mas simplesmente não acontece
Não vai
Não liga

E daqui eu fico
Esperando que um milagre venha dos céus
E me tire desse entorpecimento
Dessa anestesia
Dese lugar de não existir
E não saber executar o desejo

Hoje

Talvez
Eu me obrigue e sair
Talvez eu consiga dessa vez…

Sonho e mensagem

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sonho

Da mensagem que eu vi
E já era tarde

Da madrugada que você
Sonhou e pensou
Não entendeu nada
Mas ousou me mandar
As duas horas da manhã

E na organização das idéias
Na censura das palavras
No receio do que eu poderia pensar
Ou dizer

Quando você me disse: Desculpe

Pensei nas desculpas
Que você vem dando
Para você
Para a vida
Para a vida fazer sentido
Para as coisas continuarem encaixadas

Para que a ordem criada
Ainda houvesse de ter sentido
Lugar e permanência

Pensei se de alguma maneira

O desculpe era um por favor
E esse por favor para você
Pode significar “Com licença”
Ou um “Pelo Amor de Deus”
Ou até mesmo “Adeus”

E agora é minha vez
De dizer “Desculpe”
Não ter visto a mensagem antes
“Com licença”
Pela licença poética e por me permitir
De alguma maneira
Mesmo que no sentido onírico
Fazer parte do lugar que está desencaixando
E pedindo um pouco de cuidado e atenção.

 

Perdi o sono

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insonia

Não dormi
Passei a noite toda
Me revirando na cama
Atormentada por pensamentos
Restos do que foi o dia
Do que foi a nossa conversa

E ainda não entendi
O que houve de ser
Ou que houve na fala

Mas sei que ainda estou
Desencaixada de tudo

O que aconteceu com você
Foi devastador
Foi absurdamente atormentador
Mas
O que houve comigo?

De alguma maneira cruel
E quase pragmática
Já era esperado
E maldosamente aguardado

Já sabíamos que isso ia acontecer
Eu já sabia?
Eu sabia sim…

E você desabou
E me mostrou seu lado humano
Eu lado atrás das caixas
Das palavras e do raciocínio

Do que você tem de melhor
Sua armadura

E sim
A história paralela havia de existir
E era muito bem vivida
E chegou ao seu ápide

E agora
Você
Olha tudo de baixo

Tudo aconteceu embaixo dos seus olhos
Embaixo de sua armadura

E agora

Respiro fundo e tento pensar

Porque eu não consegui dormir?