Que cor eu vou?

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Nas pontas dos dedos
Eu me defino
Nas cores que escolho

Semana passada foi cinza
Não mais nas roupas
Apenas nas unhas

Como uma expressão do que havia
De existir na alma

Depois foi para o azul
Escuro
Mas não significava
O que era para ser
Foi apenas por acaso

E neste acaso
A semana toda foi assim
Destes encontros
E tudo era azul
Em todos os lugares
Achei divertido

E hoje
Me segurei para não sair correndo
Ir a loja mais próxima e me jogar
Porque eu queria vermelho
Mas não os vermelhos que eu tenho
Eu queria um vermelho
Que já está guardado

Respirei fundo
Me fiz de besta
Como se enganasse uma criança

E passei rosa
Nunca passei rosa antes
Eu não sou uma menina de rosa

Na verdade eu não tinha me dado conta
De ser uma menina

E dormi em cima da cor

Amassei o rosa
Mas fiquei pensando
Que essa é minha expressão
A minha forma de autorizar
De aceitar e talvez reverenciar

A parte menina
Que deixada de lado ficou
Por muito tempo

Mas educadamente eu peço
Venha
Eu cuidarei bem de você…

Romero Britto

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Em um dia de grande coragem, ela entrou em uma loja para comprar um quebra cabeças.
Mas não podia ser um quebra cabeças qualquer… Tinha que ser bonito, colorido, divertido, delicado, sensacional…
E ela já estava perdendo o foco, pois não era para comprar roupa ou sapato, ela tinha que comprar aquela quebra cabeças libertador!

Ficou umas três horas dentro da loja, pesando as caixas, pensando se começava por um com 30 peças, ou ia de vez para um mergulho radical no mundo do entretenimento…
Pensou, pensou, pensou e comprou um gigante de 1000 peças.

Chegou em casa feliz e mostrou a todos a sua nova aquisição.
Para facilitar um pouco mais as coisas, montou barricada na mesa da sala de jantar e de uma maneira delicada, deixou claro a todos os moradores daquela casa que aquele território lhe pertencia a partir de agora.

(E os almoços de domingo em família?) – Ninguém ousou confrontá-la.

E o primeiro desafio não eram as mil peças, mas sim descobrir que elas vinham todas soltas dentro de um saquinho. (Quem fez isso comigo?)

Colocou as peças todas em cima da mesa e fez esforços mentais sobrenaturais para entender do que se tratavam todas aquelas pecinhas coloridas. (Mas elas são tão lindinhas… tem cores perfeitas).

E desde então, este tem sido o seu melhor companheiro, nos momentos de calmaria depois de um dia cheio de trabalho, ou outras atividades que lhe tiram a paciência.

E já faz quase dois meses que ela está nesta vida paralela em que pode ser a senhora das pecinhas do quebra cabeça.

Suas pecinhas amigas, que entendem exatamente o que se passa dentro daquela cabecinha e daquele coração.

Com Romero Britto, ela pode ser ela sem máscaras, sem pressão, sem medo de ser apenas uma menina que o mundo obriga a ser forte…

E ela tem todo o tempo do mundo para terminar…

Romero Britto… por favor, faça essa menina feliz!