Não, né?

Padrão

black heard
Não é para esperar nada

De você eu já sei o que vai ser

Dessa história
Eu queria
Mas demorei para entender
Que eu queria colocar a história
Na pessoa errada

Porque você não é
Nunca foi
Nunca vai ser
Porque simplesmente
É pouco

Eu finjo que não sei
Que não vejo
Não me importo

Mas na verdade
Eu não quero

Porque é pouco

A sua ganância é falta
A sua reclamação é chata
Sua discussão e certeza
São furadas

E eu finjo
Que não vejo
E que me importo

Me importei sim
Acreditei sim
Quis para valer
Sim…

Mas você
Me deu pouco
E agora
Eu me dei conta
Você me deu tudo
E o seu tudo
É pouco demais
Para mim…

O dia que respirar não foi uma escolha

Padrão

morte2

Cai na piscina
Em um mergulho
Na verdade
Em um tombo
Afundei…

Quando me dei conta
Já estava lá no fundo
Sem fôlego
Sem forças
Sem saber como escapar

Dos segundo que se faziam eternos
E eu comecei a ouvir as batidas
Aceleradas do meu coração
Senti o frio na espinha

Como se fosse possível
Senti o calafrio da morte
E ela chegou bem perto
Me olhou de frente
No fundo dos meus olhos

Sorriu e me ofereceu
Ajuda
Disse que tinha vindo me buscar

Me esperava há tempos
Mas há muito que não nos encaramos

A última vez foi quando?
Sete anos…
Algumas profecias acontecem nesse tempo

Fechei os olhos e perdi os sentidos
Mas de repente
A luz azul tomou conta de tudo
E mesmo com os olhos fechados eu pude ver

Pude respirar fundo
E voltar…

De longe ela continuava me olhando
Não se deixando intimidar pela luz azul…

Ela me disse: Não tenho pressa
Eu continuo te esperando
E desse vez eu vim para cumprir a promessa
Mesmo que para isso eu tenha que esperar
Eu sempre te esperarei…

Lixo

Padrão

lixo

Sinto muito
Ninguém vai te pegar no colo
Ninguém vai cuidar de você
E dizer que a vida vai melhorar

Ninguém vai apoiar seus sonhos
Para piorar as coisas
Ainda vão fazer você escolher errado
Porque as suas escolhas são lixo

Sim
Não só a roupa que você está escolhendo
É a mais feia e não combina com você
Mas tudo o que você toca vira lixo

E assim você vai crescer
Acreditando que seu cabelo é um lixo
Seu corpo é um lixo
Suas escolhas são um lixo
E você só serve para fazer
Suprir e obedecer o que te mandarem

Qualquer pessoa que mandar em você
Qualquer conhecido ou desconhecido
Qualquer um tem mais valor e sabedoria
Mais entendimento e poder que você
Sobre a sua vida e as suas escolhas

Você nasceu apenas para preencher um buraco
Ser uma desculpa
Ser alguma coisa
Mas não era para você viver

Mas você acabou nascendo
E esse plano não estava nos planos

A intenção era só separar

Mas você nasceu
E atrapalhou todos os outros planos

E desde então você é isso
Um atrapalho na vida
Um lixo no meio do caminho
Que ninguém tem coragem de colocar para fora

E enquanto isso
A vida está passando
E o único desejo
É que o fim se aproxime
Para que no final das contas
Esse coração possa parar de sangrar de vez.

Póstumo

Padrão

janela 1

Bate
Mas bate com força
Bate com toda a sua força
Porque eu não sinto mais

Faz
Mas faz bem feito
Daqueles que a gente se orgulha depois
Porque agora
O que está posto está uma droga

Se esforce mais
Porque de ficar sem ar
De sentir o coração gelado
De sentir a dor infinita da traição
Tudo isso já não tem cor e nem gosto
Tudo isso perdeu o sentido

De agora em diante
Você vai ter que fazer muito melhor

E cuidado
Pois ao abrir a porta
Se fizer além do permitido
A janela será a rota de fuga

Sem pedágio
Sem chance de volta
Sem pára-quedas

Me disseram que isso é liberdade
E fez sentido enfim
Deixar cheques assinados
Estourar a conta do banco
Dar o último beijo
E dizer eu te amo para a pessoa errada

Assim jaz o que um dia houve
E agora não há mais
Da dor infinita
Que transborda e perturba
Da vida que se esgotou
E agora é saudade.

Percebi agora

Padrão

lacan
Eu não tinha me dado conta

Não do jeito que eu achei que era

Eu entrei na sala
E procurei vestígios de mim
De coisas que ficaram para trás
Das lembranças que um dia foram
De sentimentos

Procurei embaixo da cadeira
Olhei os móveis

Não achei
Senti
Mas não achei
Lembrei
Mas não achei

Eu não havia me dado conta
Que eu estava lá
Fiquei presa na sala
Durante todos esses anos

Quando você disse que eu te abandonei
E depois arruma
Diz que fui eu quem me abandonei

Eu lembrei
E te pedi para não me cortar

Depois
Te contei dos cortes
Da faca e da carne
Do sangue e do desejo

Te implorei para não me cortar

Demorei para entender

Que eu fiz isso
Eu paralisei nisso
O que resta é dor
Angustia e sofrimento

E te imploro
Não me corte!

A insuportável leveza de ser

Padrão

relógio

De repente
O tempo parou
A comida amargou
O dia escureceu

Eu andava pela rua
E não enxergava nada
Não percebia nada
Só seguia em frente

Do grito preso na garganta
Explodiu com as lágrimas
E a tortura do que foi revivido

Da mentira que me enfiei
Para ver se a vida agora ia

E me dei conta
Que a vida não vai

Da vida que não há
Da vida que nunca haverá de ser

De perder tempo
De sonhar em vão
De plantar a semente
E descobrir que ela não é minha

Na verdade
Nada nunca é
Nem nada nunca foi

De ter que pedir favor
Para fazer parte deste lugar
Estar nesta vida assim

Pedindo licença
Desculpa
Sinto muito
Não se incomode com minha presença

De fazer morada
No favor do valor dos outros
E pedir licença para tudo

Suspiro arrependida
De lá atrás não ter dado fim
A tudo isso

Mas não faria diferença

O lugar seria outro
Mas a dívida
Ficaria dobrada
E permaneceria a mesma…