Não posso…

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pecado

Fingi que estava tudo bem
Que eu estava bem
No lugar de sempre
E fiz o que eu sempre fiz
Hoje eu fiz melhor
Nem sabia que havia melhor que isso
E houve
Eu fiz…
Mas do outro lado da porta
No lugar de sempre
A outra me esperava
E me olhava com piedade
Os olhos baixos eram o prenúncio
E me imploravam um lugar
Uma explicação
Me ordenavam…
Neste dia eu me dei conta
Que o limite entre a razão e o sentir
Entre o querer e o não querer
Entre a sanidade e a loucura
Entre te querer e fingir
Esses limites estão ultrapassados
E me dei conta que
Falta apenas mais um passo
Para eu cair na sua loucura
No desafio de sua falta
No que você quer de qualquer um
E agora quer de mim
Não tenho isso
Não posso te oferecer
Não posso cair em tentação
Pois minha queda será o fim
Do pouco que ainda resta
Até hoje…

Aquele segredo

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atras da porta

Você me tocou?
Lembro
Que um dia
Atrás de uma porta

Eu não consigo me lembrar
Mas eu sei que alguma coisa
Que mudou tudo
Da infância
Da inocência
Da doçura

Alguma coisa aconteceu
Atrás daquela porta

Foi alguma coisa grave
Que outras pessoas fizeram silenciar
Confundiram as percepções
Disseram que não era nada demais

Era sim
Porque até hoje
Essa coisa toda está no meu corpo
Preenche minha mente
E me paralisa

Me faz chorar dia sim
Dia não
Me faz não fazer
Me faz não ter coragem
E me escondo

Nas roupas
Nas palavras
Na comida
Na vida

Ela foi amarga desde o começo

Como alguém tem coragem?

E desde então a vida acabou.

Fingindo demência

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abstrai-e-finge-demencia

Depois de anos luz
Você resolve mandar uma mensagem
E ela não começa com um “Oi”
E sim com um “O que foi que eu te fiz?”

E daí em diante foi ladeira abaixo
E eu me fez lembrar o porque do meu silêncio

Porque eu até queria ser legal
Simpática e disponível
Mas você chegou chutando a cadeira
Batendo a porta e colocando o dedo no meu nariz

Ai eu lembrei que eu já passei por isso
Na verdade eu já fui mestre nisso
Enlouqueci uma pessoa fazendo isso
Acho que eu até merecia um prêmio
Se é que isso é digno de premiação

Antes de você existir eu já quebrei cadeira
Já quebrei porta de vidro
Já destruí o painel de um carro
E por pouco não matei

E hoje o cachorro chama Freud
Nada é por acaso….

Agradeço as vozes que disseram pare!
Agradeço meu lado “são” que ouviu as vozes
E esses dois lados deram as mãos
Saímos para tomar um drink
Como se nada demais tivesse acontecido

Não tem o que dizer sobre isso
Tá feito e como pode ser dito
Tá posto
Já era
Game over

Agora você
Iniciada nos livros de maldade e crueldade
Querendo dar lição de moral
Essas horas as vozes dão uma sonora risada
De você!

E eu fico pensando
“Como é que é?”
Mas eu só posso estar participando de algum programa
Daqueles que gravam nossa reações em segredo
Para mostrar
Em horário e canais de pouca audiência

Como é que é?
Pergunto mesmo

O meu silêncio foi claro
Das escolhas que você fez lá atrás
E compactou comigo
Porque um dia eu escolhi ocupar este lugar

Hoje não cabem mais
E neste triangulo alguém sempre sobra
E você escolheu me tirar
E eu aceitei sair
Para preservar o seu segredo
E nada mais

Agora é você
Ela e seu segredo!

Então não me cobre
Presença
Palavras
Cuidado

Quando deste triangulo eu me tornei
Exclusão
Ausência
Descuidado (Para quem mesmo?)
Para que você continue sua mentira

E sendo feliz
Na vida de ausências
Mentiras
E chiliques
Que só funcionam
Porque sua máscara ainda não caiu.

E agradeço
Pois o seu contato
Me fez lembrar
O que eu havia esquecido.

Sua escolha!

Hoje eu acordei louca

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EU TE AMO

Para hoje eu decidi que quero me apaixonar
Daquelas paixões devastadoras
Que fazem a gente parar de comer
De não querer dormir
E só pensar na pessoa o dia inteiro

Como se a vida houvesse de ter um novo tom
Uma nova direção

Mas os apaixonados rumam em direção aos olhares
Ao desejo de estar juntos o tempo todo
E nada mais importa

Daquelas paixões que o dia vira noite
A comida pode ser qualquer coisa
Porque todo o sentido é exatamente essa bagunça
Que uma grande paixão traz para a nossas vidas

Paixões daquelas que ficamos cegos
Burros e surdos
Que a barriga dói
Que o coração dispara
E que a lembrança se torna nossa pior inimigo
Na repetição das cenas vividas
Na repetição da repetição

Do coração se sentir cheio
De sentimentos e vontades
E de querer e sentir e pensar
E tudo ao mesmo tempo agora

A vida há de me oferecer mais uma loucura
Dessas antes que seja tarde demais.

Eu creio…

Ensaio sobre insanidade

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INSANIDADE

Eu queria tanto
Ser esse encaixe perfeito que você espera
Que você deseja de mim

Mas sei que essa é sua fantasia
Uma montagem para que a realidade
Seja menos cruel com você

Quando me pede para estar ao seu lado
Quando me pede para ficar com você
E sem me dizer nada
Me promete o céu e o infinito

E no descompasso deste discurso mudo
Eu fico rodopiando
Acreditando que tudo está sob controle

E que você está caindo direitinho no meu plano

Mas a vida faz uma pausa bruta

E quando busco em você minhas verdades
E um caminho para abrir meus pensamentos e meu coração
Quanto te peço conforto e carinho

Recebo as costas
E de brinde seu silêncio

E tudo faz sentido
Quando nada foi dito
Nunca foi prometido

E fico com o que nunca me pertenceu
Nesta vida

E no recuar de mim mesma e do que eu espero
Finjo demência
Aguardando

Você me estender a mão
E começar tudo novamente
Porque na minha loucura
Você faz morada constante.