Passa longe que tu fez merda

Padrão

cala a boca

Primeiro você mandou uma mensagem querendo uma opinião
Respirei fundo…
Contei até sei lá que número
Pensei que tenho que ser uma boa pessoa
Porque assim dizem os preceitos religiosos

Fiz a louca e respondi direitinho
Fui tão simpática que até me admirei
Quase me dei uma estrelinha de parabéns

Depois de alguns dias você manda outra mensagem
Em dia e horário inapropriados
Eu respondi
Mas o dia, o horário
E eu estávamos no lugar errado

Perguntei o que era
E você não hesitou
Disse que não estava bem…
Quer dizer, não sabia se não estava bem…
Disse que estava tudo bem…
Mas que antes que ficasse mal
Não sabia o que fazer…

Consultar os oráculos?
Os deuses astronautas?
Pedir ajuda para algum deus
Usar sua droga predileta

E acabei descendo a ladeira da fineza
Que esse dia eu não “tava boa”

E perguntei se neste mundo de fast
O que você queria era que eu lhe oferecesse
Fast Ajuda nesse mundo superficial em que você vive
Nessa merda de lugar que você ocupa

E para fechar você me diz que ia procurar alguém
Com mais qualificação

Rí alto
E lembrei que era você sendo você
E qeu não me cabe submissão
Ou “retrucação”
De um lugar que você só enxerga o seu umbigo
O mundinho cretino que você criou
Para a vida fazer sentido

Não costumo ter dó das pessoas
Mas este dia
Esse dia eu senti dó

Por que falou mal de mim para a pessoa errada
Inventou história de mim para a pessoa errada
E não imaginava…
Que isso chegaria aos meus ouvidos

Não tem problema
Você sabe que eu sei
E daqui para frente
Você não vai mais saber de nada…

Você escolheu
E eu sei cobrar

E sim…

Sei ser má…

Como ser normal?

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Está errado
Faça desse jeito
Não faça assim
Não faça isso
Mas porque você não faz de outra maneira?

E nas tentativas
De sair do quarto
De tentar chegar até a porta da sala
Sair de casa

Até lá
Não se trata só
De uma vida

Se trata de existir
De ocupar um lugar
No mundo

Mas enquanto isso
A porta do quarto fica trancada

E a memória toma conta do corpo
E a memória do abuso preenche
Toma conta do ar
E a respiração fica difícil
A cabeça dói

Melhor dormir
Lá ninguém pode me incomodar
Lá ninguém entra sem eu permitir

Lá é o único lugar
Que eu posso acreditar
Ser dona da minha vida…

Tenha cuidado querida

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Eu forcei a respiração
Puxei o ar com toda a força
Simplesmente ele não vinha

Meu coração acelerou
Eu percebi que ele foi longe
Bateu pesado e judiou

E enquanto isso
Eu olhava a rua
O caminho de sempre
A direção ser seguida

Pensei que era ela
Eu já tinha ouvido falar
Bastante e muito bem

Mas ela nunca havia
Vindo me visitar
Não sem ser convidada
Ou ter algum motivo explícito

Tentei forçar a respiração
Puxar ar de não sei onde
Pedir para o coração se comportar

E gentilmente pedi
Para ela se sentar no banco do passageiro

Dei a mão para ela
E disse que eu não deixaria ela
Não deixaria sem motivos
E sem cuidados

Pedi para ela me respeitar
Me dar mais tempo
Não entrar sem ser chamada
Pois eu estava dirigindo
E isso era perigoso

No dia seguinte foi a mesma coisa

Acabei me dando conta
Do que eu estava evitando
Esquivando
Não olhando…

Ela queria ser minha amiga
E dizer
Apenas

Vá mais devagar…