Presente vazio

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amargo
Você me deu
O que falou que daria

Você veio
E fez o que era

Achei
Que seria diferente

Mas não tem diferente
Do que sempre é igual
Do que sempre foi
Do que você é

Nunca haverá de ser
Você diferente
Do que eu queria
Do que eu esperava
Do que eu achava

O lugar é meu
De achar
Esperar
Querer

Você tem
O que quer de mim
Nunca quis mais
Nunca quis menos
Sempre quis
O que é

E eu
Mudo as vírgulas
Os pontos
As exclamações

Fazendo o sentido
Do que eu quero que tenha
Do que eu quero que seja
Do que não
Não é nunca

Agora
Fico sem ar
Quando ele me falta
Sei que é

Na verdade
As palavras
Ausentes
Preenchem o pulmão
De vazio

Essa é a lógica…
Sempre foi, não é mesmo?

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Como foi mesmo?

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respirar
De repente
Pensar se tornou
Algo tão
Difícil
Acessível
Complexo
Incompleto….

Nunca pensei
Que um dia seria eu

Agora
Sujeita
Entorpecida
Viciada
Presa

As drogas
Que agora
Fazem parte do meu dia
Da minha vida

Para respirar
Para pensar
Para organizar
E fazer sentido

Tudo bem
Enquanto houver
Vontade e necessidade

Eu terei vocês
Minhas mais novas preciosidades

Mini fábricas
De sentidos
De ar

E de fazer o coração saltitar…

Dois anos

Padrão

foto-2-anos

O blog começou com uma brincadeira, uma maneira de escrever sobre coisas que eu gostava, que eu queria expressar, que precisavam ter sentido ou dar sentido para mim.

Hoje, já são quase seiscentos textos publicados, falando sobre as loucuras de ser a pessoa que eu sou.

Dando vazão, acolhendo, resgatando, fazendo sentido, dando sentido…

Palavras amigas, palavras queridas, meu porto seguro, meu lugar predileto no mundo.

Das palavras que saltitam, multiplicam, silenciam e dão a exata medida do que eu sou na vida, nos caminhos do meu coração.

E hoje é mais um dia de celebrar.

Dois anos de blog, dois anos de vida, dois anos de um dos meus lugares prediletos no mundo.

A meus amigos, obrigada.

Aos seguidores, obrigada.

Aos curiosos silenciosos, obrigada.

Aos que leem e nada dizem, obrigada.

Aos que odeiam, obrigada.

A menina que começou a ler desde pequena e escolheu as palavras como companhia: Muito obrigada.

 

Lembra de mim?

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SAUDADE
Lembra de mim?
Um dia fomos nós
Eu e você
Daquela vida
Que eu queria só para mim
De você
Que eu achava que era meu
Só meu
E de mais ninguém

Mas nunca foi
Sempre fomos
Mais do que dois
Muito mais do que todos
Os que cabiam
Entre nós…

E eu achava
Que poderia ser
A guardiã
O porto seguro
O lugar do amor
Na sua vida…

O amor
Já estava por ai
Em todos os lugares
Eu era apenas mais um
Dos lugares que você estava
E prometia

Na verdade você disse que me amava
E eu entendi que era única
Você disse que eu era especial
Eu entendi que seria para sempre

E assim
Ainda espero
Você voltar
Para me dizer algo
Que possa fazer sentido
No lugar
Que eu não escuto
Do lugar
Que não há
Do lugar…

Em que eu possa ser
Algo
Ao seu lado
Para sempre…

Agora vai ser assim…

Padrão

querer
Você não vai responder
Não vai dizer nada
Porque agora
Eu fiz sentido
Quando um dia disse
Que era o caminho
Agora eu cheguei
Mas não por você
Cheguei por mim
Quando suas palavras
Ora eram boas
Ora eram amargas
Ora queriam o bem
Ora gozavam da falta
Eu tirei o melhor
Demorei a entender
Que não era eu
Era você
E agora que tem lugar
Tem sentido
Você pergunta
Como é
Eu sei que não tem
Resposta
Porque você não quer
Saber
O que é
Quer saber
Quanto tempo ainda há
De mim
Para você
Descobriu
Que eu descobri
Sua farsa
Podia ter sido diferente
Eu queria
Mas você
Achou absurdo
Faz sentido
Eu querer você
Absurdo mesmo…

Se

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PARTIR

Seria diferente
Você teria desistido
Voltado atrás
Ficado aqui?

A sua vida
Seria comigo?
Ao meu lado?

Você já tinha
Tomado sua decisão

Já estava certo
De que tinha de ir
Ou você foi
Porque eu não disse?

Eu deixei você
Quando você me disse
Que queria fazer uma pergunta

Aquele dia
Ficou gravado em mim

Veio em minha direção
Certo de que era comigo
De que tinha de me contar
Falar algo muito importante

Eu fingi não entender
Fugi

Desde então
Fico pensando

Eu poderia ter ouvido
Ficado para você
Ficado com você

Então
Hoje
Carrego em meu peito

O vazio
Da sua auência

Do que você era

Do que ninguém
Nunca ousou ocupar
Ou me dar

Você
Era você
Eu sei
Tinha de ser você

E eu deixei
Partir…

De tão longe

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LONGE
Sua visita
Me fez bem

Daqueles bens
Que a gente não tem
Com qualquer pessoa

E você veio

De tão longe
Para se aconchegar

Fez visita
Fez sentido
Fez morada

No seu abraço
No seu encaixe
No seu lugar

Pouco disse
Mas disse

Não prometeu nada
Mas vez

E me fez lembrar
Do que era
Do que foi
Do que eu não deixei
Do que eu fugi
Escapei

Nem sabia ao certo
Que ainda havia lugar
Ou lembrança certa

De você
Em mim

E isso
Eu quero
Quero mais
Quero sempre

Venha ser real
Venha se tornar real

De você
Eu aceito
Sempre mais…