Tentei entender

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ENTENDER

Nunca sei
O que você quer
Me dizer

O que você quer
Comigo

O que você quer
De mim

O que você quer…

Eu tentei
Eu já li
Nas linhas
Entrelinhas
No não dito
No subjetivo

Procurei nos dicionários
Falei com sábios
Falei com guias
Falei com Freud

Me disseram
Que é assim mesmo
E que é obvio
Está claro
Bem na minha cara…

Suspiro
Procuro ar
Mas os pulmões
Foram maltratados
Não podem ajudar

Tento enxergar
O grau não lê
Bula de remédio

Saio com o carro
Gasolina na reserva…

Esse é o obvio
Do não dito
Não entendido
Não manifesto

O óbvio
É o seu lugar

O meu lugar.

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Das suas lágrimas

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meu-fim

Você me chamou
Depois de um tempo de silêncio
E me contou

Como doeu ouvir tudo isso

Da cabeça que girou
Do estômago que embrulhou
Dos olhos que não conseguiam te encarar
Eu simplesmente não consegui

E na fala descompassada
Ensaiada de explicações
Motivos e fazer sentido

Eu não conseguia te ouvir
Não conseguia te entender
Não tinha como prestar atenção

Porque sua dor inundou
E quebrou as barreiras
E me atingiu em cheio

Demorei algum tempo para entender
Que não era a sua dor
Mas a sua descoberta
Que me colocava diante
Do que eu estava evitando
Fingindo não saber e não querer

Mas que a desconstrução
E a descoberta
A revelação final
Também derrubou minha máscara

Desnudou minha alma
E me colocou diante
Da minha verdade também

E agora
Você percebeu
E agora
Eu não tenho mais como
Não tenho mais lugar

E em silêncio
Quando terminamos a noite
Volto
Rumo
A lugar algum

Lugar da minha origem
Do meu esconderijo
Das lembranças secretas
Da noite adormecida

E sim
Volto para lá
Para nunca mais sair

A sua verdade
É o meu fim.