Sem lugar para você

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portaaberta

Esqueci você
De um jeito que está estranho
Sobre considerar como isso aconteceu

Mas eu esqueci você

Não lembro da última vez
Não lembro do último sonho
Não lembro

Mentira
Lembro do seu perfume sim
Lembro do seu olhar
Lembro do seu abraço
E de tudo mais…

Mas
Não sei onde deixei
Onde você se deixou

E como fui te esquecer

Talvez você fosse a tormenta
O lugar que eu queria estar
O pensamento que me fazia triste
De ter a certeza da vida vazia

Mas um terremoto aconteceu
Uma avalanche
Tudo o que eu queria partiu-se
Para um outro tempo e direção

E me levou para longe
Da dor que eu sentia
Ao lembrar de você
Pensando que isso era amor

Na dor
Nessa nova dor
Nesse novo lugar
A vida pede que eu seja outra
Que eu seja forte
Que eu seja luz

Luz de mim mesma

Mas com você era escuridão
E talvez por isso eu não lembre
Ou não tenha mais espaço
Para o que um dia foi essa lembrança
Esse lugar que eu queria ter
E ser

Nessa nova vida
Nesse novo lugar
Eu vivo um dia de cada vez
E não tem mesmo mais
Lugar para você…

Amor – II

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oiamor

Você nunca soube
E nunca vai saber

Mas eu um dia pensei que talvez
Das mensagens que você mandava
De “bom dia”

Quando você aparecia do nada
E os olhares se cruzavam
Eu me sentia uma adolescente

E nunca consegui entender
Como é que isso chegou a acontecer

Mas quem disse que precisa ter sentido?

Com o tempo
Acabei me afastando
Reticente
Não sou dessas
Respeito o que há de ser respeitado

Deixei o tempo passar

Mas de alguma maneira
Mesmo que pouco
Considerei alguma possibilidade

E inventei mil desculpas
Para nunca dar certo

Com o passar do tempo
A razão voltou a imperar
E tomar conta do que nunca houve de ser

Com o passar do tempo
Você volta a me procurar

Me pergunto do que se trata tudo isso

Pergunto a Freud, Lacan e seus amigos
Pergunto a minha fé
Me perco nas interpretações

Me contento com a resposta
E já sei que nesta vida
Só haverá de existir
Desejo e ilusão
Tudo no mesmo lugar

Respiro fundo
E me deixo contentar
Para que o coração não morra
Do que nunca poderá ser.

Passa longe que tu fez merda

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cala a boca

Primeiro você mandou uma mensagem querendo uma opinião
Respirei fundo…
Contei até sei lá que número
Pensei que tenho que ser uma boa pessoa
Porque assim dizem os preceitos religiosos

Fiz a louca e respondi direitinho
Fui tão simpática que até me admirei
Quase me dei uma estrelinha de parabéns

Depois de alguns dias você manda outra mensagem
Em dia e horário inapropriados
Eu respondi
Mas o dia, o horário
E eu estávamos no lugar errado

Perguntei o que era
E você não hesitou
Disse que não estava bem…
Quer dizer, não sabia se não estava bem…
Disse que estava tudo bem…
Mas que antes que ficasse mal
Não sabia o que fazer…

Consultar os oráculos?
Os deuses astronautas?
Pedir ajuda para algum deus
Usar sua droga predileta

E acabei descendo a ladeira da fineza
Que esse dia eu não “tava boa”

E perguntei se neste mundo de fast
O que você queria era que eu lhe oferecesse
Fast Ajuda nesse mundo superficial em que você vive
Nessa merda de lugar que você ocupa

E para fechar você me diz que ia procurar alguém
Com mais qualificação

Rí alto
E lembrei que era você sendo você
E qeu não me cabe submissão
Ou “retrucação”
De um lugar que você só enxerga o seu umbigo
O mundinho cretino que você criou
Para a vida fazer sentido

Não costumo ter dó das pessoas
Mas este dia
Esse dia eu senti dó

Por que falou mal de mim para a pessoa errada
Inventou história de mim para a pessoa errada
E não imaginava…
Que isso chegaria aos meus ouvidos

Não tem problema
Você sabe que eu sei
E daqui para frente
Você não vai mais saber de nada…

Você escolheu
E eu sei cobrar

E sim…

Sei ser má…

Perguntei sem querer

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falei demais

No meio da conversa
Das palavras que dançavam
Entre idas e vindas
Vindas e idas

Eu me peguei perdida
No que me era dito
Da habilidade
Na labilidade

Não dei conta

Sem querer
Falhei

Juro
Não foi por mal
Na mania de explicar
Acho que me peguei
Querendo preencher
O que não era

E meu corpo inteiro congelou
Por uma fração de segundos
Fui do céu ao inferno

E senti a pulsação
Das batidas do meu coração
Do ar frio que entrava
Em meus pulmões

Não sei como
Consegui continuar
Presa ao chão

Pois fui eu mesma
Que abri o buraco

Demorei um tempo para entender
Do que era tudo isso afinal

Mas dessa brincadeira
De mentir e não contar a verdade
Eu já decidi
Não quero mais

Quem se importa?

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cemitério

Me desejaram um bom dia
Uma pessoa que eu nem sei quem é

Mas ela me desejou
Um bom dia

Ela nem sabe
Que eu não sei o que é esse dia
Do que se trata comemorar alguma coisa

Porque quando eu chego em casa
Tudo o que eu faço lá fora
Fica lá fora

Como uma máscara que eu uso
Diariamente
Com sorrisos e palavras
Delicadezas e sentimentalidades
Verdades e seguranças

Eu sou realmente a prova de tudo isso mesmo

No final das contas
Um dia ouvi que o escritor não representa a sua obra
No meu caso isso serve

Não represento nada
Represento a farsa
Do fracasso dos aspectos
Que subjugam a abstraem

Mas eu não posso falar isso em voz alta
Isso não pode ser colocado em lugar algum
Isso não importa a ninguém

Nem a pessoa da porta ao lado
Nem a pessoa que mora do outro lado do mundo

Mas no final das contas
Ninguém se importa mesmo

Se eu não estiver mais aqui amanhã
No final das contas
Ninguém simplesmente
Se importará…

Ninguém se importa.

Sonho e mensagem

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sonho

Da mensagem que eu vi
E já era tarde

Da madrugada que você
Sonhou e pensou
Não entendeu nada
Mas ousou me mandar
As duas horas da manhã

E na organização das idéias
Na censura das palavras
No receio do que eu poderia pensar
Ou dizer

Quando você me disse: Desculpe

Pensei nas desculpas
Que você vem dando
Para você
Para a vida
Para a vida fazer sentido
Para as coisas continuarem encaixadas

Para que a ordem criada
Ainda houvesse de ter sentido
Lugar e permanência

Pensei se de alguma maneira

O desculpe era um por favor
E esse por favor para você
Pode significar “Com licença”
Ou um “Pelo Amor de Deus”
Ou até mesmo “Adeus”

E agora é minha vez
De dizer “Desculpe”
Não ter visto a mensagem antes
“Com licença”
Pela licença poética e por me permitir
De alguma maneira
Mesmo que no sentido onírico
Fazer parte do lugar que está desencaixando
E pedindo um pouco de cuidado e atenção.

 

P… sicopata

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psicopata

Hoje no ballet
Das escolhas que eu fiz
Para viver e ser feliz

Me peguei
Tropeçando nas palavras
Dos cuidados que eu tenho
Das promessas que um dia eu fiz
Que eu guardo e reverencio

Nos caminhos que se cruzam

De repente
Sou apunhalada
Pelas costas

Do lugar que um dia
Tropecei e segui adiante

Mas nunca
Em desonra ou maledicência

Não sou esse tipo de pessoa…

Se há um segredo
E você me dá ele
Ele será guardado
E para sempre meu

Até o dia que você contar para outro alguém
Mesmo assim
Eu o terei no lugar que você deixou

Mas na loucura alheia
Meu nome foi dito
Foi mal usado
Foi desonrado
Caluniado e difamado…

Na hora
Meu rosto ruborisou
Minhas mãos começaram a tremer
Minha fala ficou desconexa

Respirei fundo
E em uma fração de segundos
Voltei para o meu ponto de equilíbrio…

Neste segundo
Pensei na minha vida
No meu dia
Nos meus problemas
Nos meus amigos
No saldo do banco
No meu passado
No meu amor
No que foi experimentado e trocado
E no suspiro
Voltei a mim…

Retomei tudo do ponto
Reorganizei as coisas

E prometi a mim mesma
Que a partir de hoje
Você não fará mais parte da minha vida

Simplesmente porque mentiu
Usou meu nome
Cuspiu no meu juramento
Em nome da sua loucura

Então
De hoje em diante
Deixo você
Seu vazio e tudo mais o que há

Verdade…
Não há nada, não é mesmo?

Porque você pediu
E esse jogo
Eu sei jogar com requintes
De bondade ou crueldade
Mas neste caso
Você pediu
E eu já vou servir…