Fim

Padrão

insonia

Nunca por aqui

Antes

Sem motivo

Houve de haver

Sua visita

Mas hoje

Você veio

Sem convite

Sem eu abrir a porta

Você chegou

Deitou na cama

Ficou me olhando

Minha cabeça gritando

Meu corpo suplicando

E você

Me fazendo companhia

Procurei o que fazer

Para lhe dar tempo

Repassei o dia

Considerando ter deixado

Escapar algo

Nada me vem

Não entendo

Você ri

A cabeça dói

O corpo reclama

E da minha cama

Nada de mim

Nada de sono

Sempre só

Desta vez

Tu

Volte para seu reino

Sei quem te mandou

Não és bem vindo aqui

Volte

E diga

Que de mim

Não mais

Haverá

De haver

Nós

Anúncios

Me deixou

Padrão

chuva

Aquele dia escuro

Você veio

E achei

Que seria

Colorido

 

Mas só tinha

O gosto amargo

Do que transbordava

 

Perguntou-me

O que era

E na verdade

Era espelho

Do que havia

Em si mesmo

 

Não tive coragem

Abaixei os olhos

Em silêncio

As palavras não saíram

 

Mas eu pensava

E você entendeu

 

Eu não te amo mais

 

Ficamos em silêncio

 

No final

Eu já sabia

Que você

Não havia lugar

Para mim

 

E quando teve lugar

Para você

Você chegou

Tarde…

 

E agora

Eu vou embora

Com as palavras

Não ditas…

 

Com tudo

O que eu sonhei

De você em minha vida

 

Minha fantasia

Meu carnaval

Minha vida

Você…

 

Acabou

No silêncio

No amargo

No cinza

Daquele dia

Que choveu

E molhou tudo

E levou

Você para sempre…

 

Como deixei passar?

Padrão

amor halph
Meu carro
Meu divã

Na direção
Das duras

Mergulho
Nos meus pensamentos
Nos lugares que já estive
Que algo passou
Me passou
Eu passei…

Lembrei
Quando você me contou
Algo que parecia malicioso
Que eu quis entender assim

Na época
Queria outra resposta
Mas você respondeu
O que era

Somente hoje
Quando o farol abriu
Eu me dei conta

Quase ri alto
Lembrando
Das minhas tartarugas
De estimação…

Elas sacaram
Mais rápido
O que era óbvio

A resposta que foi
Na verdade é

Porque hoje
Ainda é

Igual assim

Nunca foi
Nunca será

A piada sombria
Eu mesma disse essa semana
Nada mais de esperar
O inesperável

Então
Aquela conversa
Aquela resposta

Que na época foi esquiva
Hoje
É fato…

Entendeu
Ou quer que eu desenhe?

Trânsito divã

Padrão

klein

Hoje
Eu acabei tão tarde
Na volta
Trânsito

Chuva
Frio
A luz ficou diferente
Refletiu no vidro

Lembrei de você
O rádio ajudou
Tocou a sua música

Senti saudades
Saudades do que foi
Saudades do seu rosto
Saudades do que era

Me dei conta
Que senti saudades
Do que nunca tivemos

Saudades do que eu queria

Lembrei da sua última mensagem

Me deu uma tristeza

Minha saudades
É só uma imaginação
Uma lembrança
Uma grande mentira

Porque o homem que você se tornou
Nem de longe cabe
Na minha lembrança
Do homem que você foi

Esse foi o golpe

O semáforo ficou verde
A música acabou
O carro atrás buzinou
Voltei para mim

Onde está você
Homem dos meus sonhos?

Me prometo

Padrão

mãos
Essa semana
Eu fui convidada
A deixar minha vida

Em um momento
Que há muito não experimentava
Tive de dar um tempo
Para ver o que estava acontecendo

E ao pedir ajuda
Uma moça entrou no quarto
E disse:
“Me entregue suas coisas”

E eu entendi
“Me entregue sua vida”

Demorei um tempo para compreender
Chorei
Me desesperei

Ela, com voz calma disse
“Acalme-se”

E nesse momento
Me dei conta
Que ela me pedia
O que eu não tinha
O que eu nem sabia que havia
E que sempre esteve lá

Respirei
O que foi possível respirar na hora

Entreguei

E ali
Começou
Uma nova história…

E tem motivo?

Padrão

loucura1

Achei que estava tudo bem
Cheguei toda risonha
Acreditando que era o fim

E você me olhou
Me mediu
Dos pés a cabeça

Pensou
Refletiu
Explicou seus motivos

Nem tinha me dado conta
Que eu fingia
Na verdade
Não fingia

Eu me perdia
E fui indo de um lado para o outro
De cima abaixo
Me esquivando
Como se fosse possível

Fugindo de você
Nem tinha me dado conta
Que mentia

Mas a mentira era minha
E para mim

Embarguei a garganta
Os olhos marejaram
Eu me enrolei
Na minhas palavras
E no que eu escondia

O beco já era sem saída
Há muito tempo

E fui eu mesma
Que acabei me esquecendo
De ficar por lá mesmo

Agora
Aguente a dose
Respire fundo
E não olhe para trás.

Aguente as escolhas
E as consequências
Pois não tem caminho de volta…

Percebi agora

Padrão

lacan
Eu não tinha me dado conta

Não do jeito que eu achei que era

Eu entrei na sala
E procurei vestígios de mim
De coisas que ficaram para trás
Das lembranças que um dia foram
De sentimentos

Procurei embaixo da cadeira
Olhei os móveis

Não achei
Senti
Mas não achei
Lembrei
Mas não achei

Eu não havia me dado conta
Que eu estava lá
Fiquei presa na sala
Durante todos esses anos

Quando você disse que eu te abandonei
E depois arruma
Diz que fui eu quem me abandonei

Eu lembrei
E te pedi para não me cortar

Depois
Te contei dos cortes
Da faca e da carne
Do sangue e do desejo

Te implorei para não me cortar

Demorei para entender

Que eu fiz isso
Eu paralisei nisso
O que resta é dor
Angustia e sofrimento

E te imploro
Não me corte!