Uma frase errada

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corao1

Palavras
Um dia seus olhos
Eles foram o que mais havia
Porque as palavras
Não haviam
Eu nem sabia falar

Mas os seus olhos
Eles preenchiam o que não era dito

E eu gaguejava
Ficava vermelha
Tremia dos pés a cabeça
Fingia que estava bem
Mas não conseguia me concentrar

Agora
Você me chama
Me conta sua vida
Me conta seus caminhos
O que houve de ser

Diz que se arrepende

Por um instante fico triste
Porque eu me arrependi
Muito tempo atrás

Mas o tempo
Deixou meu coração vazio
Duro e sem sentimentos

Quando você me conta sua história
Fico pensando o que poderia ter sido
Como poderíamos ter sido

Mas seria apenas a repetição
Do que você viveu
Porque eu não sabia amar
Não sabia amar

Aprendi a amar do jeito pior
Ralando o joelho
Sangrando o coração
Matando o amor com as próprias mãos

Não foi diferente do que você viveu

Talvez
Hoje pudesse ser diferente…
Não sei…

Mas não aceito ser três
Não aceito fazer parte de histórias
Que estão desencaixadas ou vazias
Eu não sou quem fará isso
Não me cabe

Mas também não cabe nada
Porque você acha que a vida errou com você
Que o mundo te deve algo
Que o passado é fardo pesado
Amargo de ser lembrado

Então não me compete
E eu nem quero
Porque de salvar
Eu já cansei

Não sou trampolim
Não sou remédio
Não sou ombro amigo
Não sou nada…

Não haverá ser de eu
Porque há tanto amargor
Que eu não quero

Não vou
Não aceito…

Eu fico com a minha história
Você fica com a sua.

Até um dia!

Drogas novamente

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drogas

A vida ficou tão estranha esses dias
Não sei dizer ao certo quando foi
Antes ou depois
Das drogas

Mas elas só vieram
Porque eu não dei conta

E a explosão foi grande
A tremor foi profundo
E trouxe a tona o que havia
De ser esquecido
Porque eu queria esquecer

Mas um dia
Quando não colocamos o lixo para fora
Ele irá nos lembrar que ainda está lá
E não sairá de lá
Até que nos movimentemos
E façamos a nossa parte

E eu deixe esse lixo
Todo crescer e ganhar forma
Força e voz
E ele gritou alto
Me fazendo tremer na base
Me tirando da direção
Que eu achei que era certa

De repente
Deixei ele lá
Porque eu queria
Que ele me lembrasse
E me tirasse
Do lugar que eu fingi escolher
Mas na verdade
Fui

Fui
Sem opção
Sem vontade
Sem querer
Sem tentar

Sem outra rota de futa

E fiquei
Parada
Paralisada
Mumificada
Esquecida de mim
De meus desejos
De meus interesses
E quase virei o lixo

Revirei o lixo de mim
Do meu lixo
E virei um só

Agora
Agora as drogas me dão
O que eu tinha que ter feito
O que eu havia de ter me dado
O que eu nunca havia de ter me deixado

Um sentido…

Estava lá

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partiu
Daquelas linhas
Que contam segredos
Que contam a história
A história da vida

Eu vi
Estava lá
Sempre esteve

Mas acreditei que podia estar errado
Ou como o tempo
As coisas mudassem
Passassem
Como seu houvesse uma nova história
Uma nova saída
Um novo lugar
Uma nova possibilidade

Eu sabia muito bem a resposta
Sabia exatamente o que iria ver
O que iria haver de estar lá

E não há lugar
Eu não estou lá
Nunca estive
Em nenhum fragmento
Resto ou saudade

Eu fiquei apenas lá
No tempo que havia de existir
Entre o passado e a certeza
Entre o que partiu e o que há

Fazendo parte da reconstrução
Estando ao seu lado
Como uma muleta ou uma estaca
Apoiando o que estava em frangalhos

E agora o tempo passou
Você já está indo
E chegou minha hora também

Não tem mais lugar para nós
Não tem mais lugar par você
Em sua história
Não tem mais lugar para mim
Em sua história

Então eu vou indo
Já coloquei as malas no carro
Já deixei a chave em cima da mesa
Não vou bater a porta ao sair
Não quero te acordar…

Você nunca vai sentir minha falta
Não é mesmo?

Amor

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amor1

Oi
Você nunca soube e nunca vai saber
Um dia eu te escolhi
Quis querer te

Dos olhares que se cruzaram
E da estranha sensação
De que um dia
Já houve nós dois

Daquelas certezas
Que não se explicam
Das coisas que a vida oferece
E a gente só pode agradecer

Da sua presença
Do seu sorriso
Do lugar que você ocupa
Em sí e na vida

Da leveza que existe
Quando você se faz presente

Do seu sorriso
O sorriso mais lindo
Do seu abraço
O melhor abraço

Das suas palavras
Que são enigmas
Que finjo não entender
Para deixar a conversa nos levar

Mas finjo não entender
Que você quer algo
Que não sei se poderei oferecer
Porque desta condição
Eu me recuso a pertencer

Então
Finjo não saber
Finjo não entender
Finjo não perceber

Dessa loucura
Me equilibro
E você acredita

Mas se não fosse assim
Eu prometo que aceitaria
Eu prometo que sim

Sim
Eu te daria meu mundo
Em troca do seu.

Do talvez que você aceitou

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luz.jpg

Estes dias estão tão corridos

Da correria que eu adiei
Empurrei até onde deu

Achei que se ignorasse
Essas questões sumiriam
Mofariam e eu descartaria

Mas foi justamente o contrário
De tanto adiar
Elas cresceram
E vieram bater aqui na porta

Tudo bem?
Podem entrar
Aceitam um café?

Fui pensando em tudo
Colocando tudo no devido lugar
Pensando nas coisas da minha responsabilidade
Do meu lugar e do meu querer

Sem querer não tinha me dado conta
Até agora
Que eu esperava que alguém passasse na frente
Pegasse para sí
Levasse embora
E resolvesse

Mas desta vez foi diferente

Ninguém atravessou na frente
Ninguém pediu a guarda
Dos problemas que eu carregava

Ninguém quis assumir

E agora eu estou
Prestes a dar a luz

Mas calma ai
Eu não tinha me dado conta

Estou prestes a dar
A luz
Ao lugar
Que é meu
No mundo
Na vida
Em mim…

Tudo bem…
Eu assumo daqui para frente.

Chegou você

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good-vibes

Abandonei tudo lá atrás
Larguei tudo
As caixas
As lembranças

Fiz as malas
Tranquei a porta
Sem olhar para trás

E agora
Chegou você
Se mostrando na sua melhor versão
De tudo o que eu sonhei
Planejei e quis em segredo

Agora você se mostra
E se apresenta para mim
Abre suas portas
Me espera

E eu
Fico quieta
Quase paralisada
Tentando entender onde me perdi

Qual rota de fuga eu tomei
Porque não tenho coragem de dizer
Por não ter coragem de sentir

E me esqueci
Que te desejei mais do que tudo
E agora verdadeiramente não sei
Como fazer para te ter
Para fazer você encaixar

Na vida

Mas isso é outra história

Te ter

Mas e a vida…
Que vida mesmo?

Partida necessária

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saudade de casa.jpg

Que lugar é esse
Desse peso que carrego

Na alma
No corpo

Dentro dos meus olhos
Dentro do meu coração

Silencio diante do que se mostra
E me envergonho do que mostro

E assim segue
O dia
A noite
A vida
E o desejo

Mas não
Não há caminho para o fim

E das tentativas de me reencontrar
Me perco
Nas perspectivas
E possibilidades que se apresentam

E me perco
De mim
Do amor
Do que há de melhor

Em mim
E aceito
As migalhas da vida
Que me oferece
Como cortesia
Por eu ser dessa medida
Desmedida sem valor

Do lugar que me propus a ocupar
E aceitar
E fazer disso minha morada
Sem lógica
Sem porta e sem palavras

Dessa desorganização
Destes lugares que aceitei
Me deixei ficar
E fui perdendo
A dignidade, a vontade, o certeza

E nessa dança
Desta tristeza
Que faço questão
De mascarar

Não há mais lugar para ser
E existir
Ter ou ser

Assim
A partir de agora
Não lamentarei meu fim

Lamentarei sim
Não ter matado tudo isso antes
E agora

Aceito
O que há para ser proposto
Da vida que me esperou

E ainda me espera
Sentada nas escadas,
Próximo a porta de entrada
Com um café quente em uma mão
E as passagens sem volta na outra.