Amor

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amor1

Oi
Você nunca soube e nunca vai saber
Um dia eu te escolhi
Quis querer te

Dos olhares que se cruzaram
E da estranha sensação
De que um dia
Já houve nós dois

Daquelas certezas
Que não se explicam
Das coisas que a vida oferece
E a gente só pode agradecer

Da sua presença
Do seu sorriso
Do lugar que você ocupa
Em sí e na vida

Da leveza que existe
Quando você se faz presente

Do seu sorriso
O sorriso mais lindo
Do seu abraço
O melhor abraço

Das suas palavras
Que são enigmas
Que finjo não entender
Para deixar a conversa nos levar

Mas finjo não entender
Que você quer algo
Que não sei se poderei oferecer
Porque desta condição
Eu me recuso a pertencer

Então
Finjo não saber
Finjo não entender
Finjo não perceber

Dessa loucura
Me equilibro
E você acredita

Mas se não fosse assim
Eu prometo que aceitaria
Eu prometo que sim

Sim
Eu te daria meu mundo
Em troca do seu.

Você pediu

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fim-1

Eu fiz tanta força
Sem saber
Que eu estava
Perdendo tempo

Eu fiz tanta gentileza
Porque achei
Que era assim

No final das contas
Eu menti
E nem sabia que era
Ou se tratava disso

Eu menti
Menti despretensiosamente
Descaradamente
Absurdamente

Para mim
Sobre você

Quando a história toda
Era a verdade
Do que você me mostrou
Ou do que eu percebi

Mas eu queria ver
Só o que eu queria ver

E você
Disse
As palavras mágicas

Do que eu não sabia
Que eu já sabia
E que eu achava
Que podia mudar
Ou podia fazer
Diferente

E depois desse dia

O seu sim
Me fez não

O seu sim
Me tornou fim

E sem você perceber
Eu parti

Para nunca mais voltar.

Do coração que bateu

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meu coração é seu.jpg

Quero te ver
Fiquei pensando
Tentando entender
Do que se tratava
O que você queria

E acabei deixando
Que você queria me ver
Matar a saudades

Eu nem lembrava mais
Que um dia houve
Esse talvez

Na dúvida
Eu recuei
Esquivei

Mas quando
Você disse o que disse

Eu lembrei que por você
Eu senti um frio na barriga
Uma vontade e uma curiosidade
Mas evitei
Não quis pensar a respeito

Mas considerei a possibilidade
E encarei a curiosidade
Lembrei ate que o coração não batia assim
Há bastante tempo

Que o seu riso é leve
Que a suas palavras são ternas
Que não há certeza de nada

Mas que você
Me fez lembrar que eu tenho um coração
Que ele não bate mais faz tempo

E que por você
Eu consideraria
Dar uma chance
Para o amor…

Até quando você vai ficar?

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PassarinhoGaiola

Você me mandou uma mensagem
Eu parei para dar uma olhada no celular
E quando era você
Tiver certeza que era dele
Das trezentas mensagens que vem na sequência

Não entendo o motivo
Mas eu ainda te dou atenção

E leio tudo…
Mentira
Eu leio um resumo
Que eu faço mentalmente

E no final das contas dá sempre no mesmo

Ser ou não ser
Dar ou não dar
Ser feliz ou desistir?

Deste ensaio
De querer ter tudo
Mas não entregar nada

De prometer amor eterno
Até a próxima esquina

De querer ser único
Quando nem na sua vida
Você sabe o seu lugar

De aceitar as migalhas
Do lugar que você escolheu ficar

E quando a atenção vem
Você desvia
Se faz de desentendida
Louca e profana

Não quer
Não aceita
Não faz sentido

Mas o que faz sentido afinal?
De tudo o que você tem e não goza
De tudo o que você é e não vê
De tudo o que você pode… e não fode

E suspiro
Pensando no que escrever
Não dizer
No dizer

Não vai fazer diferença alguma
E agora eu vou ficar em silêncio
Porque de presença ou ausência
Para você tanto faz…

Tanto faz do lugar que você
Nem sabe que ocupa na sua vida…

Sobre ser leve

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amor coração.jpg

Da leveza que eu não encontrava
Porque tinha esquecido onde ficava
Ou não tinha tempo para ter
Me permitir ter esse regalo

Do dia que amanhece
Em um céu azul
Com o horizonte iluminado
Pelos primeiros raios do dia

E saber
Que este é o caminho
Este é o lugar
Essa é a única certeza

De que faz valer a pena abrir os olhos
Levantar da cama
Abrir a porta de casa
E ir em rumo ao que é

Da melhor parte da existência
Recheada da melhor escolha
E da melhor metade / parte
Da existência

Quando estar comigo
No que a vida e o conhecimento
Fomentado pelo tempo e a sabedoria
Podem rechear

A vida
Que eu escolhi
E posso ter
E me permitir
E ser

Simplesmente ser
Na melhor parte do que eu tenho
E da melhor parte que a vida tem
E das partes que se unem

E fazem o que é
A melhor vida de todas!

Sobre repetições

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portal

Do silêncio das palavras
Que explodiam meus tímpanos
Que invadiam meus pensamentos
Que esgotavam minhas forças
Em tentar argumentar
Ser e querer

Da dicotomia
Do paradoxo
Do paradigma

E as palavras que se fizeram presentes

Me tiraram desse turbilhão

E silenciaram

E desde então
Venho esvaziando gavetas
Jogando coisas fora
Deletando arquivos
Deletando amigos
Deletando redes

No movimento de uma limpeza
Muito maior do que o previsto
E possível

Da possibilidade de ficar só
De silenciar o que eu havia inventado
Ou que se tornara minha melhor desculpa

E agora não pode mais ser
Você descobriu
Na verdade
Você derrubou minhas defesas

Agora
Antes que descubram meu plano
Minha mentira
Minha morada
Minha melhor máscara

Tenho que correr e fugir
E sumir
E apagar
Qualquer vestígio
De que algo muito sério aconteceu

Meu transtorno
Meu transbordamento
Meu esvaziamento
Minha complexidade existencial
Reduzida

Apenas a questão…

Atravesse a porta

E faça o que quiseres…

O dia que Lacan fez mais sentido que minha vida…

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lacan

Desencaixada mais uma vez
De acordar pela manhã
Com a sensação de que falta algo

Um cansaço
O sono
A falta de vontade de comer
Ou de realmente fazer
O dia acontecer

Desse desencaixe de que mesmo?

De não saber a direção
As possibilidades
Ou ausência de querer

Porque a vida se faz e desfaz
A cada amanhecer
E a cada necessidade de fazer
Sentido ou desejar e querer

De pertencer e fazer parte
De ser lembrada
Ou de ser esquecida

De ser ouvida
Mas não há mais nada a ser dito

De ouvir
O que não me importa mais
Das palavras que me atravessam
E ao mesmo tempo esvaziam

Há quanto tempo tudo isso?
De acordar pela manhã
Estranhada
Desencaixada
Esvaziada

Será que o psicanalista estava certo?
Quando disse que a mulher não existe?

Esse é o lugar que eu ocupo
No desencaixe da minha vida?
Do querer fazer sentido?
Do querer ter sentido?
Do querer?
Desejar?

Serão sinais do fim dos tempos?

Lacan… Me ajuda…