O dia que respirar não foi uma escolha

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Cai na piscina
Em um mergulho
Na verdade
Em um tombo
Afundei…

Quando me dei conta
Já estava lá no fundo
Sem fôlego
Sem forças
Sem saber como escapar

Dos segundo que se faziam eternos
E eu comecei a ouvir as batidas
Aceleradas do meu coração
Senti o frio na espinha

Como se fosse possível
Senti o calafrio da morte
E ela chegou bem perto
Me olhou de frente
No fundo dos meus olhos

Sorriu e me ofereceu
Ajuda
Disse que tinha vindo me buscar

Me esperava há tempos
Mas há muito que não nos encaramos

A última vez foi quando?
Sete anos…
Algumas profecias acontecem nesse tempo

Fechei os olhos e perdi os sentidos
Mas de repente
A luz azul tomou conta de tudo
E mesmo com os olhos fechados eu pude ver

Pude respirar fundo
E voltar…

De longe ela continuava me olhando
Não se deixando intimidar pela luz azul…

Ela me disse: Não tenho pressa
Eu continuo te esperando
E desse vez eu vim para cumprir a promessa
Mesmo que para isso eu tenha que esperar
Eu sempre te esperarei…

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Sem rumo

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Já fazia tempo
Que de alguma maneira
Eu não despertava assim

Deslocada
Desinteressada
Desconectada
E lenta
Absurdamente lenta

Como se não houvesse possibilidade de entender, tentar ser ou pensar
De querer produzir, de ter que entregar
E a vontade é ficar olhando para o infinito

Como se ele pudesse me absorver
Absolver
Me abstrair de mim mesma
Neste estranhamento
Desencaixado das coisas
E tempos

E agora até respirar me desconcentra

Olhar para o lado
Me faz pensar
“O que era mesmo?”
“O que eu ia fazer?”
“O que eu estava pensando?”

Levanto para tomar um café
E chegando na cozinha
Olho para os armários
Para o fogão
A Geladeira

E penso..
“O que mesmo?”

E nesses dias
Deixa estar como é
Como tem que ser

E resolvi não fazer mais nada

Agradecendo
Por não ter que pensar
Para o coração bater
Para respirar…

Ou esse seria o fim.

“O que mesmo?”