Me prometo

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mãos
Essa semana
Eu fui convidada
A deixar minha vida

Em um momento
Que há muito não experimentava
Tive de dar um tempo
Para ver o que estava acontecendo

E ao pedir ajuda
Uma moça entrou no quarto
E disse:
“Me entregue suas coisas”

E eu entendi
“Me entregue sua vida”

Demorei um tempo para compreender
Chorei
Me desesperei

Ela, com voz calma disse
“Acalme-se”

E nesse momento
Me dei conta
Que ela me pedia
O que eu não tinha
O que eu nem sabia que havia
E que sempre esteve lá

Respirei
O que foi possível respirar na hora

Entreguei

E ali
Começou
Uma nova história…

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Não posso…

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pecado

Fingi que estava tudo bem
Que eu estava bem
No lugar de sempre
E fiz o que eu sempre fiz
Hoje eu fiz melhor
Nem sabia que havia melhor que isso
E houve
Eu fiz…
Mas do outro lado da porta
No lugar de sempre
A outra me esperava
E me olhava com piedade
Os olhos baixos eram o prenúncio
E me imploravam um lugar
Uma explicação
Me ordenavam…
Neste dia eu me dei conta
Que o limite entre a razão e o sentir
Entre o querer e o não querer
Entre a sanidade e a loucura
Entre te querer e fingir
Esses limites estão ultrapassados
E me dei conta que
Falta apenas mais um passo
Para eu cair na sua loucura
No desafio de sua falta
No que você quer de qualquer um
E agora quer de mim
Não tenho isso
Não posso te oferecer
Não posso cair em tentação
Pois minha queda será o fim
Do pouco que ainda resta
Até hoje…

Das palavras e escolhas

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chave

Eu só precisava saber o que dizer
Ou saber exatamente
Apenas exatamente
O que fazer

Daqueles dias que contamos
Regressivamente
Ansiosamente
No calendário

E chegou
Agora eu fico olhando para as paredes
Sentindo o coração bater forte

Mas nada
Nenhum movimento
Nenhuma palavra
Nenhuma intenção

Apenas fico olhando
Parada o dia que chegou de presente
E não tenho a menor idéia do que fazer
Com ele e com a minha vida nele

E o dia lá fora está tão lindo
Daqueles muito mais bonitos que os sonhados
Mas simplesmente não acontece
Não vai
Não liga

E daqui eu fico
Esperando que um milagre venha dos céus
E me tire desse entorpecimento
Dessa anestesia
Dese lugar de não existir
E não saber executar o desejo

Hoje

Talvez
Eu me obrigue e sair
Talvez eu consiga dessa vez…

As vezes

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as vezes.jpg

Não entendi

Mas também não sei
Se tudo tem que ser assim

Tudo tem que fazer parte
Sentido ou lugar

Das palavras que eu li
Do que tinha sentido
Acho que não dei significado
Ou não dei o devido lugar
Para que elas pudessem ser

Não importa mesmo
Na verdade nunca teve importância para você
Do jeito que tinha importância para mim

E eu fui deixando
Ficando assim
Meio insensível
Meio sei lá

O que é
O que não é mais

Mas não há de ser nada
Porque eu deixei de querer
Tentar entender
Esse lugar e suas palavras

Hoje
Eu só deixo estar
Deixo para lá
Deixo quieto

E finjo que não entendi nada
Assim a vida fica mais
Ou menos…

A vida fica…

Como assim

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vida

Estava pensando
Que tentando fazer sentido
Buscando um lugar para as coisas
E para o que é de ser sentido
Ou escondido

Eu acabei deixando de lado
As palavras

O lugar que elas percorriam

E me dei conta
Que me esqueci delas

Fiquei tão perplexa
Vendo o sol

Eu nem lembrava mais o que era isso

Vendo as pessoas

Eu nem lembrava mais o que era isso

E me dando conta
Que sábados
São dias para descansar

Eu nem lembrava mais o que era isso

E depois desse tempo
Deste lugar que eu estive

Me esqueci de mim
Do lugar que era
Do que havia de ser
Do que eu queria ser
Do que eu sempre fui
O que eu sempre fui?

Não tem problema

Estou de volta

E palavras

Vamos novamente
Para os lugares
Que ninguém sabe
Ou ousa poder fazer parte

Segue-se assim
Os caminhos
Possibilidades
E a vida…

Até quando você vai ficar?

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PassarinhoGaiola

Você me mandou uma mensagem
Eu parei para dar uma olhada no celular
E quando era você
Tiver certeza que era dele
Das trezentas mensagens que vem na sequência

Não entendo o motivo
Mas eu ainda te dou atenção

E leio tudo…
Mentira
Eu leio um resumo
Que eu faço mentalmente

E no final das contas dá sempre no mesmo

Ser ou não ser
Dar ou não dar
Ser feliz ou desistir?

Deste ensaio
De querer ter tudo
Mas não entregar nada

De prometer amor eterno
Até a próxima esquina

De querer ser único
Quando nem na sua vida
Você sabe o seu lugar

De aceitar as migalhas
Do lugar que você escolheu ficar

E quando a atenção vem
Você desvia
Se faz de desentendida
Louca e profana

Não quer
Não aceita
Não faz sentido

Mas o que faz sentido afinal?
De tudo o que você tem e não goza
De tudo o que você é e não vê
De tudo o que você pode… e não fode

E suspiro
Pensando no que escrever
Não dizer
No dizer

Não vai fazer diferença alguma
E agora eu vou ficar em silêncio
Porque de presença ou ausência
Para você tanto faz…

Tanto faz do lugar que você
Nem sabe que ocupa na sua vida…

Sobre repetições

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portal

Do silêncio das palavras
Que explodiam meus tímpanos
Que invadiam meus pensamentos
Que esgotavam minhas forças
Em tentar argumentar
Ser e querer

Da dicotomia
Do paradoxo
Do paradigma

E as palavras que se fizeram presentes

Me tiraram desse turbilhão

E silenciaram

E desde então
Venho esvaziando gavetas
Jogando coisas fora
Deletando arquivos
Deletando amigos
Deletando redes

No movimento de uma limpeza
Muito maior do que o previsto
E possível

Da possibilidade de ficar só
De silenciar o que eu havia inventado
Ou que se tornara minha melhor desculpa

E agora não pode mais ser
Você descobriu
Na verdade
Você derrubou minhas defesas

Agora
Antes que descubram meu plano
Minha mentira
Minha morada
Minha melhor máscara

Tenho que correr e fugir
E sumir
E apagar
Qualquer vestígio
De que algo muito sério aconteceu

Meu transtorno
Meu transbordamento
Meu esvaziamento
Minha complexidade existencial
Reduzida

Apenas a questão…

Atravesse a porta

E faça o que quiseres…