Celestial soda pop 

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ray lynch

Sem querer
Achei uma música
Jogada por ai

Coloquei ela
Fui ouvir

Abri a porta do baú
E com ela
Veio tudo
O que estava
Jogado
Como aquelas gavetas
Que um dia
Um dia vamos ter
Tempo de arrumar

Vi você
Quando descobri
Que éramos três
E eu acreditava
Em conto de fadas
Papai noel
Amor
E felizes para sempre

Passou por mim
A primeira
A segunda
A terceira
A quarta vez
Que eu falhei
Ao tentar partir
Dessa vida…

E continuei

Lembrei das vezes
Das pessoas
Dos beijos
Dos encontros

Da formatura
Do primeiro carro
Do primeito emprego
Primeiro paciente
Da primeira gira
Da primeira aula

Lembrei de você de novo
Dessa vez
Não quis te matar
Ou morrer…

Mas me espantei
Quando me dei conta
Da direção
Do lugar
E de um outro alguém

Meu desconcerto
Foi dizer que eu te amo
O que estava
Sempre esteve
E ainda está
Preso aqui na garganta

Antes da música acabar
Antes que vire passado
Antes que eu me arrependa
De virar passado

Você me diz sim?

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Póstumo

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janela 1

Bate
Mas bate com força
Bate com toda a sua força
Porque eu não sinto mais

Faz
Mas faz bem feito
Daqueles que a gente se orgulha depois
Porque agora
O que está posto está uma droga

Se esforce mais
Porque de ficar sem ar
De sentir o coração gelado
De sentir a dor infinita da traição
Tudo isso já não tem cor e nem gosto
Tudo isso perdeu o sentido

De agora em diante
Você vai ter que fazer muito melhor

E cuidado
Pois ao abrir a porta
Se fizer além do permitido
A janela será a rota de fuga

Sem pedágio
Sem chance de volta
Sem pára-quedas

Me disseram que isso é liberdade
E fez sentido enfim
Deixar cheques assinados
Estourar a conta do banco
Dar o último beijo
E dizer eu te amo para a pessoa errada

Assim jaz o que um dia houve
E agora não há mais
Da dor infinita
Que transborda e perturba
Da vida que se esgotou
E agora é saudade.

Por favor… não

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anjo mau

Ontem a tristeza
Tomou conta da minha alma
Me cercou e não fez cerimônia
Entrou e se serviu
Com tudo o que haveria de ter direito

Entorpecida
Sentada atoa
Alheia
Esvaziada

Embriagada de tantas lágrimas
Me afogando em tanta dor
E os gritos de horror

De repente
Me percebi em mim
Me percebi no lugar

Olhei ao redor
E um sopro no meu ouvido me disse
Venha…

E eu lembrei dessa voz
E desse convite

Eu já estive com você
Em outros tempos
E você era meu amigo
Digo
Você estava sempre ao meu lado

Consegui lembrar
Que foi você que daquela vez
Me levou até aquele lugar
E me ofereceu o que havia de ser

E eu tomei
Uma
Duas
Na terceira
Era certeza que daria certo
Fui salva

E agora
Sua voz volta com a certeza
Me oferecendo novamente
E me dando opções

Pensei

Considerei…

E não consegui ir adiante
Porque eu fiz uma escolha
E uma promessa
E eu não quebro promessas

Suspirei fundo
Agradeci e pedi para você ir embora

Fiquei sozinha no escuro
Triste por não ter ninguém
Mas mais triste
Por não ter nada…

E você ficou
Do outro lado da rua
Me olhando

Eu sei
Você ficou cuidando do meu sonho

Mas te peço
Aqui não há mais
Lugar ou pensamento
Oferta ou troca
Eu não posso
Te dar

O que eu nunca tive
Uma vida…

Since 1995

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mulher-diante-do-abismo-500x315

Quando e 1995
Eu conheci o que podia doer
Do que eu nem imaginava que existia
Desde então a vida desencaixou
Quase como um terremoto

E desde então
Vivo me equilibrando
Fazendo história
Procurando o caminho de volta
Ou o caminho certo

De repente
Quando tudo volta
A fazer sentido de sonho
E querer um lugar para fazer
A vida ter o seu lugar

Mais um buraco se abre
Diante de meus olhos

E fico cortejando esse abismo

Como tudo isso é possível

E a bruma diante de meus olhos
Se desfaz
O nevoeiro
Abre caminho para um novo lugar

E percebo
Que esse é o meu
O que me diz respeito
O que é de fazer sentido
Da vida que desencaixa
E sangra

Respiro fundo
Sentindo novamente
Os cacos que ainda existem
E estavam em silêncio
Porque eu me acostumei com eles

E eles sangram
E fazem doer tudo o que havia
Sido esquecido
De tanto chorar

Agora
Tudo se transforma em tempestade
Novamente

Do lugar que eu nunca deveria
Ter ousado sair
Esse é meu lugar
Na vida
E em mim.

O que nunca você saberá… Parte II

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infierno

Esqueci de dizer
Sobre aquilo tudo que
Nunca na vida você poderá saber

Mas dos caminhos que eu escolhi
Uma vez
Eu quase tive sucesso
E foi quase por um triz…

Mas algo além
Do nó que cortava a minha garganta
Da força que me prendia a minha cama
Do desejo imensurável de não mais sentir
E de não mais pertencer

Um portal me foi oferecido
E me deixaram descer
E relembrar lugares que já havia habitado antes
Mas que não estavam mais presentes em minhas lembranças

E a cada passo que eu dava
Em direção ao que um dia houve de ser
E até ontem se fazia encoberto
Pelo véu do esquecimento

Eu pude ver
E estava acompanhada
Por eles que um dia fizeram presente
Presença e sustentação
E agora são
A ausência de luz de lá
Mas presença de luz aqui

E me foi ofertada
Uma chave
Que abriu a única porta
Que estava trancada
Com os segredos

E ao abrir este portal
Eu ví
Eu senti
Eu revivi
Eu desconcertei
E descontrui

Tudo o que eu havia inventado
Criado e construído
Para ser minha fortaleza e morada segura

E me mostraram o que eu jamais poderei revelar
Mas que entendo
“Fui tudo culpa minha”
E se eu escolher voltar lá
Através de atalhos

Eu me encontraria
Com minha pior faceta
E nesta pior faceta
Todos os que eu deixei cair
Um dia
Cairiam novamente

Por minha culpa…

E por isso só
Bastará para que não tivesse
Uma enésima chance

Simplesmente por que a escolha foi minha

E sim
Eu nunca poderei lhe contar isso
Porque você nunca poderá saber
Que eu cai
Lembra?

Que eu um dia
Tive motivos
E cheguei muito perto
Como você

De tentar a rota de fuga
Daquele atalho
Que hoje,
Em meus caminhos
Se mostra sempre a disposição

Mas não é mais morada segura
Pois o que há a ser vivenciado
Experimentado e oferecido
É barato demais

Para tudo o que hoje
A vida oferece

E assim
Seguem meus dias

Como se houvesse uma cicatriz
Que me mostrasse sempre
Por aqui
Não mais.

Mas nunca…

Eu nunca poderei lhe contar isso…