Tempestade de mim

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tempestade

Da encruzilhada
Sentei
Parei com todo o meu cansaço
Toda a minha tristeza
Com todas as minhas malas
Sentei

E a chuva era forte
O vento maltratava
Deixei a chuva lavar
O vento levar
Mas não era isso
Não se tratava de nada disso

Eu não conseguia decidir
Qual direção seguir
Qual lugar ocupar
Eu não conseguia mais ver sentido em nada

Quando te disse que as palavras perderam a cor
A comida perdeu o gosto
Levantar da cama era penoso

Eu queria dizer isso
Do lugar que nunca houve de haver
Da verdade que nunca apareceu
Das mentiras que eu carrego na mala
Dos desejos que eu não sei mais de quem são

Eu esqueci que gosto tem
Que cor tem
Que concordâncias ou sons
Do que se trata a vida

De fingir estar bem todo o tempo
De sorrir para cada pessoa na rua
De olhar para baixo
Procurar uma direção
De querer um sentido

Lembrei
Estou parada na encruzilhada
Se alguns moram por aqui
Serão eles a me mostrar a direção?
Serão eles o que me ajudarão?

Será que sou digna dessa ajuda?

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Since 1995

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Quando e 1995
Eu conheci o que podia doer
Do que eu nem imaginava que existia
Desde então a vida desencaixou
Quase como um terremoto

E desde então
Vivo me equilibrando
Fazendo história
Procurando o caminho de volta
Ou o caminho certo

De repente
Quando tudo volta
A fazer sentido de sonho
E querer um lugar para fazer
A vida ter o seu lugar

Mais um buraco se abre
Diante de meus olhos

E fico cortejando esse abismo

Como tudo isso é possível

E a bruma diante de meus olhos
Se desfaz
O nevoeiro
Abre caminho para um novo lugar

E percebo
Que esse é o meu
O que me diz respeito
O que é de fazer sentido
Da vida que desencaixa
E sangra

Respiro fundo
Sentindo novamente
Os cacos que ainda existem
E estavam em silêncio
Porque eu me acostumei com eles

E eles sangram
E fazem doer tudo o que havia
Sido esquecido
De tanto chorar

Agora
Tudo se transforma em tempestade
Novamente

Do lugar que eu nunca deveria
Ter ousado sair
Esse é meu lugar
Na vida
E em mim.