Não, né?

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black heard
Não é para esperar nada

De você eu já sei o que vai ser

Dessa história
Eu queria
Mas demorei para entender
Que eu queria colocar a história
Na pessoa errada

Porque você não é
Nunca foi
Nunca vai ser
Porque simplesmente
É pouco

Eu finjo que não sei
Que não vejo
Não me importo

Mas na verdade
Eu não quero

Porque é pouco

A sua ganância é falta
A sua reclamação é chata
Sua discussão e certeza
São furadas

E eu finjo
Que não vejo
E que me importo

Me importei sim
Acreditei sim
Quis para valer
Sim…

Mas você
Me deu pouco
E agora
Eu me dei conta
Você me deu tudo
E o seu tudo
É pouco demais
Para mim…

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Por favor… não

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anjo mau

Ontem a tristeza
Tomou conta da minha alma
Me cercou e não fez cerimônia
Entrou e se serviu
Com tudo o que haveria de ter direito

Entorpecida
Sentada atoa
Alheia
Esvaziada

Embriagada de tantas lágrimas
Me afogando em tanta dor
E os gritos de horror

De repente
Me percebi em mim
Me percebi no lugar

Olhei ao redor
E um sopro no meu ouvido me disse
Venha…

E eu lembrei dessa voz
E desse convite

Eu já estive com você
Em outros tempos
E você era meu amigo
Digo
Você estava sempre ao meu lado

Consegui lembrar
Que foi você que daquela vez
Me levou até aquele lugar
E me ofereceu o que havia de ser

E eu tomei
Uma
Duas
Na terceira
Era certeza que daria certo
Fui salva

E agora
Sua voz volta com a certeza
Me oferecendo novamente
E me dando opções

Pensei

Considerei…

E não consegui ir adiante
Porque eu fiz uma escolha
E uma promessa
E eu não quebro promessas

Suspirei fundo
Agradeci e pedi para você ir embora

Fiquei sozinha no escuro
Triste por não ter ninguém
Mas mais triste
Por não ter nada…

E você ficou
Do outro lado da rua
Me olhando

Eu sei
Você ficou cuidando do meu sonho

Mas te peço
Aqui não há mais
Lugar ou pensamento
Oferta ou troca
Eu não posso
Te dar

O que eu nunca tive
Uma vida…

Não olhe embaixo da cama

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cama1

Entendi tudo
Sua loucura ultrapassou o limite
E agora você transborda
A maldade que você mesma criou

Das vozes que falam ai dentro
Do que te dizem para fazer
E lhe alertam que é urgente
Preciso tomar cuidado
Não confiar em ninguém
Desconfiar de tudo

Mas do que mesmo?
Porque você criou tudo isso
E agora tem que ficar se esquivando
Lembrando e mentindo
Se equilibrando entre as coisas
As maldades que você mesma inventou

E está sentido na pele
O gosto amargo do que você falou
Do que você lançou no tempo
E plantou no coração
Da única pessoa que um dia poderia

Mas nunca será
E sua maldade transborda
Fazendo do amor a manipulação
A mentira morada segura

Controlando os passos
As respirações
Buscando rastros
Migalhas e se contentando
Em ser o que acha que é

Mas deste jogo
Da manipulação
Você é apenas aprendiz

Pois para te ter por perto
O mestre se tornou jogador
E mexe as peças e palavras
Como ninguém

E nesse equilíbrio
Do movimento das peças
Das artimanhas e manobras

Você perdeu
Esse jogo você perdeu faz tempo!
O jogo acabou faz tempo!

E sabe o que te resta?
Migalhas!
Sim
Migalhas!
Pois é isso o que você é!
Migalhas!

Então não tenha pressa
Mantenha a calma
O seu segredo já foi descoberto

Apenas
Respire fundo
E continue
Apenas
Apreciando a vista

Pois o seu tempo
Acabou.

Das suas lágrimas

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meu-fim

Você me chamou
Depois de um tempo de silêncio
E me contou

Como doeu ouvir tudo isso

Da cabeça que girou
Do estômago que embrulhou
Dos olhos que não conseguiam te encarar
Eu simplesmente não consegui

E na fala descompassada
Ensaiada de explicações
Motivos e fazer sentido

Eu não conseguia te ouvir
Não conseguia te entender
Não tinha como prestar atenção

Porque sua dor inundou
E quebrou as barreiras
E me atingiu em cheio

Demorei algum tempo para entender
Que não era a sua dor
Mas a sua descoberta
Que me colocava diante
Do que eu estava evitando
Fingindo não saber e não querer

Mas que a desconstrução
E a descoberta
A revelação final
Também derrubou minha máscara

Desnudou minha alma
E me colocou diante
Da minha verdade também

E agora
Você percebeu
E agora
Eu não tenho mais como
Não tenho mais lugar

E em silêncio
Quando terminamos a noite
Volto
Rumo
A lugar algum

Lugar da minha origem
Do meu esconderijo
Das lembranças secretas
Da noite adormecida

E sim
Volto para lá
Para nunca mais sair

A sua verdade
É o meu fim.

O suspiro final

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suspiro

Discutimos
Falamos o que pensávamos
Mas esquecemos de um detalhe

Não estamos mais na mesma página
Como que por uma artimanha
Uma piada sádica do tempo
E do destino que nos levou

Hoje estamos caminhando
Sós

Mas naqueles dias
Tínhamos a falsa impressão
Que seguíamos o mesmo caminho
Para um mesmo destino
Um ponto final em comum

Mas não

Eu falava e você lá
Você falava e eu lá

Ouvindo
O que eu queria ouvir
Do que você dizia
Ou achava que dizia

Eu abria meu coração
Sinceridades dos pensamentos
Sinceridades das idéias
Sinceridades que eu acreditava
Serem minha verdade

E você ouvia o que queria
Do seu repertório
Que era raso

Do que sempre foi
Do que sempre houve de ser
E sempre será…

No meu suspiro final
Fecho os olhos
E faço uma oração
Para que haja misericórdia

Do sentimento que nasce da fonte
Mas não tem mais para onde escoar…

Até quando?

Meu fim

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perdendo-tempo

Fiquei quieta
Porque não tinha mais nada a dizer

Fiquei te olhando
Piscando os olhos
Para ver se você ouvia
E me via

E tomei meu café em silêncio
(E ele me entendeu)
Na amargura
Do que não era dito

E o que você tinha a dizer
Não era nada do que me importava
Nada do que eu queria saber
Não era nada

Nada de mim
Nada para mim
Nada de lugar nenhum

E o que estou fazendo aqui?

Esperando a palavra certa
O carinho completo
E abraço terno
A certeza…

Dou uma gargalhada mórbida
E me dou conta
Que tudo isso é a grande piada

Do que não tem sentido
E nunca terá

De um lugar
Que eu nunca ocuparei

De um lugar
Que você…