Toca Raul

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TOCA RAUL

E tem como ser mais profundo e intenso?

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Deixei o portal aberto

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portal

Dormia tranquilamente

Quando me virei

E te vi

De pé

Na beirada da minha cama

De vestido

Olhos tristes

Uma senhora

Acho que já te vi

Mas não sei de onde

Respirei fundo

Me assustei

Mas o sono era maior

Me virei….

Fechei os olhos

E abri novamente

Agora era apenas

Um vulto ao lado

Do guarda roupas

Essa hora

Assustei de verdade

Acendi o abajur

Me dei conta

Que ao voltar

Trouxe vocês

Sem perceber

Deixei a porta aberta

E esqueci de me despedir

Nos veremos

Em outras noites

Outros sonhos

Outros mundos…

 

 

Sem os remédios

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tristeza2

Sem remédios há mais de um mês

Sem eles eu sou assim

E consigo acessar o universo

Das palavras que doem

Do que não pode ser dito

Quando as drogas circulam

Livremente e alegremente

Dentro de mim…

Elas trazem as cores

Da vida que queria ser vivida

Mas as palavras ficam trancadas

E eu fico me equilibrando

Tentando entender o que é

O que não pode ser

E o que não sera para ser jamais

Talvez seja apenas isso

Ser triste é o que é

Ser triste é o que eu tenho

De mais criativo em mim…

Então

Por enquanto,

Eu vou fingir que está tudo bem

E escrever

Até quando ficar insuportável

E a dor pedir elas de volta

Então

Escolherei o silêncio

E ficarei alheia

Ao que é…

Mas o que é tudo isso mesmo?

Não, né?

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black heard
Não é para esperar nada

De você eu já sei o que vai ser

Dessa história
Eu queria
Mas demorei para entender
Que eu queria colocar a história
Na pessoa errada

Porque você não é
Nunca foi
Nunca vai ser
Porque simplesmente
É pouco

Eu finjo que não sei
Que não vejo
Não me importo

Mas na verdade
Eu não quero

Porque é pouco

A sua ganância é falta
A sua reclamação é chata
Sua discussão e certeza
São furadas

E eu finjo
Que não vejo
E que me importo

Me importei sim
Acreditei sim
Quis para valer
Sim…

Mas você
Me deu pouco
E agora
Eu me dei conta
Você me deu tudo
E o seu tudo
É pouco demais
Para mim…

Tempestade de mim

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tempestade

Da encruzilhada
Sentei
Parei com todo o meu cansaço
Toda a minha tristeza
Com todas as minhas malas
Sentei

E a chuva era forte
O vento maltratava
Deixei a chuva lavar
O vento levar
Mas não era isso
Não se tratava de nada disso

Eu não conseguia decidir
Qual direção seguir
Qual lugar ocupar
Eu não conseguia mais ver sentido em nada

Quando te disse que as palavras perderam a cor
A comida perdeu o gosto
Levantar da cama era penoso

Eu queria dizer isso
Do lugar que nunca houve de haver
Da verdade que nunca apareceu
Das mentiras que eu carrego na mala
Dos desejos que eu não sei mais de quem são

Eu esqueci que gosto tem
Que cor tem
Que concordâncias ou sons
Do que se trata a vida

De fingir estar bem todo o tempo
De sorrir para cada pessoa na rua
De olhar para baixo
Procurar uma direção
De querer um sentido

Lembrei
Estou parada na encruzilhada
Se alguns moram por aqui
Serão eles a me mostrar a direção?
Serão eles o que me ajudarão?

Será que sou digna dessa ajuda?