Ausente, mas aqui

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limiteFiquei tanto tempo sem escrever
Que até estava estranhada
Como seria possível
Silenciar o que há no coração?

E me dei conta
Que as drogas não estavam mais presentes
Que eu não estava mais me dando conta
Que eu já estava ignorando
De maneiras diferentes
A própria existência

Fisgada pela dor
E amada infinitamente
Pela ausência
Do que não pode ser
Do que não se tem

Vivi
Todo esse tempo
Correndo atrás
Do que eu já tinha
Mas nunca havia me dado conta
Que era meu

Então
Por hora eu volto
Para falar que enlouqueci
E me curei…
Que morri
E voltei…
Que a vida me deu nova chance
Nova morada
Novo sentido

E me preparo
Para o que há de vir

Não sei o que será
Mas sei que já é dado
Como fato consumado

Aqui jaz
Minha vida
Que eu matei
Para chegar ao limite…

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Volta para mim

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vc

Seu olhar
Me deixou acessar
O que há
Na profundeza
Do que ninguém vê
Do que ninguém acessa

E me pergunto
Como as coisas
Chegaram a esse ponto?

Como foi possível
Doer
Sangrar
Rasgar
Corromper
E chegar a esse ponto

Um olhar
Que me fez compreender
O deserto
Da solidão
Do vazio
Do cinza
Que hoje é
A sua morada

Te peço
Estendo a mão
Beijo sua testa

Te convido
Vem morar comigo
Volta

Eu cuido de você


Deixe
Eu
Entrar…

Vazio nós

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vazionos
Prometi
Acreditei
Diz que sim
Comecei
Fui um pouco
Foi ao meio
Mas deixei

Deixei sempre
Essa sempre foi
A verdade
O lugar
A certeza…

Deixei
De mim
O que era seu
O que eu acreditei
Que deveria
Poderia
Haveria

Parti
Em mim
De mim
O que eu não sei
Para onde não foi

Sempre
Esperando
O lugar
O olhar
A aprovação
A palavra

Descobri
Que promessas repetidas
Não mudam direções
Não mudam vidas
Não são nada
Apenas
São vazias

Dessa vida
Que agora é essa
Deste lugar
Vazio…

Presente vazio

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amargo
Você me deu
O que falou que daria

Você veio
E fez o que era

Achei
Que seria diferente

Mas não tem diferente
Do que sempre é igual
Do que sempre foi
Do que você é

Nunca haverá de ser
Você diferente
Do que eu queria
Do que eu esperava
Do que eu achava

O lugar é meu
De achar
Esperar
Querer

Você tem
O que quer de mim
Nunca quis mais
Nunca quis menos
Sempre quis
O que é

E eu
Mudo as vírgulas
Os pontos
As exclamações

Fazendo o sentido
Do que eu quero que tenha
Do que eu quero que seja
Do que não
Não é nunca

Agora
Fico sem ar
Quando ele me falta
Sei que é

Na verdade
As palavras
Ausentes
Preenchem o pulmão
De vazio

Essa é a lógica…
Sempre foi, não é mesmo?

Vazio

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vazio

Eu achei
Por um tempo
Certo tempo até
Que você seria capaz
De me dar
O que ninguém deu

E abri
Te contei tudo
Abri o coração

E você
Abriu
Se abriu no coração

E me fez ver
Que eu te dei errado

De coração
Não mais há

E quando eu entrei
Abri
A porta

Mas
De saber
Sabiamos

Que vazio
Estava

E vai demorar

Mas tudo bem

Temos todo o tempo
Para fazer o que quisermos

Mesmo
Que não seja
Com a gente.

Como deixei passar?

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amor halph
Meu carro
Meu divã

Na direção
Das duras

Mergulho
Nos meus pensamentos
Nos lugares que já estive
Que algo passou
Me passou
Eu passei…

Lembrei
Quando você me contou
Algo que parecia malicioso
Que eu quis entender assim

Na época
Queria outra resposta
Mas você respondeu
O que era

Somente hoje
Quando o farol abriu
Eu me dei conta

Quase ri alto
Lembrando
Das minhas tartarugas
De estimação…

Elas sacaram
Mais rápido
O que era óbvio

A resposta que foi
Na verdade é

Porque hoje
Ainda é

Igual assim

Nunca foi
Nunca será

A piada sombria
Eu mesma disse essa semana
Nada mais de esperar
O inesperável

Então
Aquela conversa
Aquela resposta

Que na época foi esquiva
Hoje
É fato…

Entendeu
Ou quer que eu desenhe?